Entrevista com Bruno Gonçalves, desenvolvedor do BigLinux
O BigLinux é uma distribuição Linux brasileira criada pelo brasiliense Bruno Gonçalves Araújo, um jovem que mal acaba de entrar para a casa dos vinte anos. Com raízes no saudoso Kurumin, o BigLinux é uma distro bonita, leve, fácil de instalar e usar e, se não bastassem todas estas qualidades, capaz de utilizar os repositórios do Ubuntu Linux.
Entrevista com Bruno Gonçalves, desenvolvedor do BigLinux
O BigLinux é uma distribuição Linux brasileira criada pelo brasiliense Bruno Gonçalves Araújo, um jovem que mal acaba de entrar para a casa dos vinte anos. Com raízes no saudoso Kurumin, o BigLinux é uma distro bonita, leve, fácil de instalar e usar e, se não bastassem todas estas qualidades, capaz de utilizar os repositórios do Ubuntu Linux.
Antes da realização desta entrevista, o BigLinux foi instalado em caráter de testes em um velho notebook Compaq Presario 1200 com 256 Mb de RAM. A instalação durou menos de meia hora, e os resultados foram surpreendentes: mesmo em um hardware tão antigo o sistema é rápido e funcional (é claro que as opções avançadas de visualização não funcionaram, mas isso já era esperado).
Geeknologia: Fale um pouco sobre você, sua formação, seus planos para o futuro.
BGA: Meu nome é Bruno Gonçalves Araújo e tenho 23 anos. Sou brasiliense, formado em Gestão em Sistemas da Informação e atualmente penso em iniciar uma pós-graduação em Software Livre.
Quero fazer estes cursos apenas para constar em meu currículo: não me lembro de ter aprendido nada realmente útil no curso de graduação. Muita enrolação, pouco conteúdo, temo que isso seja típico do modelo educacional brasileiro.
Geeknologia: Como surgiu a ideia de criar sua própria distro?

Bruno Gonçalves Araújo (BigBruno) BGA: O BigLinux nasceu meio que de brincadeira, na época em que eu usava o Kurumin. A distro do Morimoto ocupava cerca de 200 MB (era um mini-CD), então resolvi testar a opção de remasterização, que eu havia achado bem interessante.
Incluí diversos programas que eu utilizava na época, o que deixou o sistema com cerca de 600 MB. Alterei um pouco os temas visuais e mostrei o resultado para alguns amigos, que gostaram muito do meu "remaster".
Resolvi então colocar o ISO para download, e desde então permaneci ocupado com a adição de melhorias.
Geeknologia: Algumas pessoas até consideram o BigLinux como "sucessor" do Kurumin...
BGA: O BigLinux começou a partir do Kurumin, e os dois projetos têm características bem semelhantes. O objetivo principal do BigLinux é facilitar ao máximo a vida do usuário, e essa era justamente a filosofia do Kurumin.
Eu mesmo confesso que passei a ver o BigLinux como uma "distribuição" propriamente dita apenas na versão 1.4. Antes disso eu o via meramente como um teste. Como comentei, eu não tive a ideia de criar o Big: ele foi construído quase que por acaso.
Geeknologia: Mas o "Big" conquistou uma boa aceitação...
BGA: Sim, é verdade. A aceitação veio aos poucos, e é consequência natural de muito esforço. Já são quase seis anos de BigLinux, e a cada versão conseguimos um sistema melhor, mais fácil e mais bonito. Geeknologia: De onde veio o nome "BigLinux"?
BGA: Em 2001, lancei o "BigBusca", um site de buscas desenvolvido por mim. Desde então o termo "Big" virou praticamente um prefixo pessoal: "BigBusca", "BigBruno", "BigLinux"... não é preciso pensar em novos nomes, basta apenas incluir o "Big".
Geeknologia: Qual é o critério utilizado na seleção de aplicativos?
BGA: Os principais programas são sempre os mesmos, mas em versões atualizadas - o KDE, o Firefox, o OpenOffice. Os demais programas vão de acordo com os pedidos feitos pela comunidade através do fórum do BigLinux e com testes que realizo.
Geeknologia: Você trabalha exclusivamente no BigLinux ou tem outra atividade?
BGA: Além do trabalho no BigLinux, mantenho alguns sites como o BigBusca, o Hemofilia.org.br e o Programas Linux. Estou também envolvido com a Ajude-C, uma ONG de apoio aos hemofílicos, criada em uma iniciativa conjunta entre pacientes portadores de coagulopatias familiares e especialistas na assistência às doenças da coagulação.
Quanto ao BigLinux... o projeto é voluntário, mas pretendo torná-lo auto-sustentável até 2010. A ideia é a associação do BigBusca ao sistema BigLinux: caso o site passe a ter pelo menos 50 mil buscas diárias, poderei cobrir todos os custos do BigLinux e ainda tirar um "salário" que me permita uma maior dedicação ao sistema. Atualmente o BigBusca conta com cerca de 3 mil buscas por dia.
Geeknologia: Além dos usuários domésticos, quem mais tem utilizado o Big?
BGA: Que eu saiba, o BigLinux vem sendo utilizado com sucesso em algumas escolas em Fortaleza (CE). Há uma bela review do sistema no blog Software Livre na Educação, mantido pela Prof.ª. Sinara Duarte.
Entrevista originalmente publicada em: Geeknologia – Jornalismo Digital e uma pitada de nerdice
Antes da realização desta entrevista, o BigLinux foi instalado em caráter de testes em um velho notebook Compaq Presario 1200 com 256 Mb de RAM. A instalação durou menos de meia hora, e os resultados foram surpreendentes: mesmo em um hardware tão antigo o sistema é rápido e funcional (é claro que as opções avançadas de visualização não funcionaram, mas isso já era esperado).
Geeknologia: Fale um pouco sobre você, sua formação, seus planos para o futuro.
BGA: Meu nome é Bruno Gonçalves Araújo e tenho 23 anos. Sou brasiliense, formado em Gestão em Sistemas da Informação e atualmente penso em iniciar uma pós-graduação em Software Livre.
Quero fazer estes cursos apenas para constar em meu currículo: não me lembro de ter aprendido nada realmente útil no curso de graduação. Muita enrolação, pouco conteúdo, temo que isso seja típico do modelo educacional brasileiro.
Geeknologia: Como surgiu a ideia de criar sua própria distro?
Bruno Gonçalves Araújo (BigBruno) BGA: O BigLinux nasceu meio que de brincadeira, na época em que eu usava o Kurumin. A distro do Morimoto ocupava cerca de 200 MB (era um mini-CD), então resolvi testar a opção de remasterização, que eu havia achado bem interessante.
Incluí diversos programas que eu utilizava na época, o que deixou o sistema com cerca de 600 MB. Alterei um pouco os temas visuais e mostrei o resultado para alguns amigos, que gostaram muito do meu "remaster".
Resolvi então colocar o ISO para download, e desde então permaneci ocupado com a adição de melhorias.
Geeknologia: Algumas pessoas até consideram o BigLinux como "sucessor" do Kurumin...
BGA: O BigLinux começou a partir do Kurumin, e os dois projetos têm características bem semelhantes. O objetivo principal do BigLinux é facilitar ao máximo a vida do usuário, e essa era justamente a filosofia do Kurumin.
Eu mesmo confesso que passei a ver o BigLinux como uma "distribuição" propriamente dita apenas na versão 1.4. Antes disso eu o via meramente como um teste. Como comentei, eu não tive a ideia de criar o Big: ele foi construído quase que por acaso.
Geeknologia: Mas o "Big" conquistou uma boa aceitação...
BGA: Sim, é verdade. A aceitação veio aos poucos, e é consequência natural de muito esforço. Já são quase seis anos de BigLinux, e a cada versão conseguimos um sistema melhor, mais fácil e mais bonito. Geeknologia: De onde veio o nome "BigLinux"?
BGA: Em 2001, lancei o "BigBusca", um site de buscas desenvolvido por mim. Desde então o termo "Big" virou praticamente um prefixo pessoal: "BigBusca", "BigBruno", "BigLinux"... não é preciso pensar em novos nomes, basta apenas incluir o "Big".
Geeknologia: Qual é o critério utilizado na seleção de aplicativos?
BGA: Os principais programas são sempre os mesmos, mas em versões atualizadas - o KDE, o Firefox, o OpenOffice. Os demais programas vão de acordo com os pedidos feitos pela comunidade através do fórum do BigLinux e com testes que realizo.
Geeknologia: Você trabalha exclusivamente no BigLinux ou tem outra atividade?
BGA: Além do trabalho no BigLinux, mantenho alguns sites como o BigBusca, o Hemofilia.org.br e o Programas Linux. Estou também envolvido com a Ajude-C, uma ONG de apoio aos hemofílicos, criada em uma iniciativa conjunta entre pacientes portadores de coagulopatias familiares e especialistas na assistência às doenças da coagulação.
Quanto ao BigLinux... o projeto é voluntário, mas pretendo torná-lo auto-sustentável até 2010. A ideia é a associação do BigBusca ao sistema BigLinux: caso o site passe a ter pelo menos 50 mil buscas diárias, poderei cobrir todos os custos do BigLinux e ainda tirar um "salário" que me permita uma maior dedicação ao sistema. Atualmente o BigBusca conta com cerca de 3 mil buscas por dia.
Geeknologia: Além dos usuários domésticos, quem mais tem utilizado o Big?
BGA: Que eu saiba, o BigLinux vem sendo utilizado com sucesso em algumas escolas em Fortaleza (CE). Há uma bela review do sistema no blog Software Livre na Educação, mantido pela Prof.ª. Sinara Duarte.
Entrevista originalmente publicada em: Geeknologia – Jornalismo Digital e uma pitada de nerdice
O Bruno Gonçalves esta de parabéns pela distribuição que desenvolveu, gostaria de falar aqui do que me fascina no linux é a caracteristica cooperativista da comunidade, de compartilhar informações para o bem comum.
Pois a grande vantagem do software livre é isso ao invés de pagar altas taxas de licensas pra uma empresa gigante que só faz ficar mais rica dia a dia, podemos contribuir pra fazer um sistema cada vez melhor e os os recursos com manutenção e licensa que dantes iriam pra o gigante vai ser distribuida pra grande comunidade que tanto colaborou, contribuindo assim para uma melhor justiça social e distribuição de renda.
Gostaria de contribuir com uma ideia: Você tem todo know-how de customização de uma distribuição, porque não colocar em seu site em forma consultoria seu serviço personalizado de customização de uma distribuição BigLinux.
Ex.: um consultor de empresas tem um cliente que precisa trocar seus S.O pirata por Software Livre, você poderia vender seu serviço pra personalizar o Biglinux pra empresa, incluindo logotipo,programas e tudo mais...
Eu mesmo ficaria muito mais satisfeito em pagar pra uma empresa que desenvolve software livre do que pagar licenças pras gigantes, pois inclusive quando você paga licensa o dinheiro vai pra matriz fora do Brasil ou seja ficamos mais pobres...