Usar, usando
Este artigo é para você que quer usar Linux, mas tem medo de doer. Sério, o Linux desktop está aí e veio pra ficar. Acompanhe minha experiência e tome coragem para mudar.
Testemunho
A princípio você pode até pensar que é mais um daqueles desabafos de quem teve ou está tendo uma experiência com Linux, e aí você diz: Isso não tem cara de artigo! Depende do seu ponto de vista. Acho que está mais para um testemunho de fé.
Acredite, a maioria das pessoas ainda pensa que computador é "Windows, Word, Excel e PowerPoint". Pior ainda, quando se pergunta onde ela fez tal trabalho, a resposta vem como uma facada:
- "Digitei no Windows !!!"
Aí começo a ter sintomas de infarto, mas graças ao meu revolucionário desfibrilador portátil, dou algumas esfregadas e TUFFF!!!, e volto ao normal.
Falando sério, o que acontece não é culpa das pessoas, é da cultura. E as "escolas" de informática são as mais responsáveis pela manutenção dessa cultura. Explico. O usuário (que já vem com uma parcela de culpa) chega no balcão da Bit Company e diz que quer fazer um curso de informática, a atendente vendo sua cara de otário, lhe propõe o "pacote básico" onde é composto por quem?, quem?, quem?... Windows, Word, Excel e Powerpoint..., opa, zuinnnnn!, TUFFFF!!! Ahh, estou melhor agora, que revolução hein!
Vamos fazer uma pequena viagem até a terra do Tio Sam. Qual sistema operacional, ou melhor, qual o computador que manda no pedaço? Se você respondeu Windows, só porque o Bill mora lá, pode voltar pro "Mobral" cara. Faça um teste, pergunte a uma criança AMERICANA de oito anos o que é um Macintosh, e ela te responde na lata:
- "It's computer. My father has one!
Tudo bem, admito que algumas vão responder que é uma maçã, ou melhor dizendo, It's apple! e tudo se explica.
O Linux foi concebido com a clara proposta de se introduzir um "sabor" do Unix nas mãos dos mortais, sem aquela pretensão de dar uma rasteira nos outros SOs de desktop (mas já dando), mas se pararmos para pensar, verá que é a ordem natural das coisas.
Realiza. Acabo de instalar a distro FRIGOLEI SAMBANGA LINUX 5.2.3.3.9.56, que comprei na banca do seu Joaquim e, ao reiniciar meu PC vejo algo diferente, o Lilo, que chamo carinhosamente de "porta do prazer". É onde falava pro Windows que não era a vez dele. Sou designer gráfico e tinha Windows instalado em meu micro e no micro da empresa com a desculpa de que não havia softwares para essa área no Linux, estava redondamente enganado.
Tive meu primeiro contato com Linux quando era administrador de sistemas em um laboratório de análises clínicas, lá usava o Red Hat e um banco de dados sapateando em cima dele. Mas, na condição de servidor, não podia fuçar muito nele devido ao contrato com nosso suporte técnico, que por questões de segurança, não me dava muitas liberdades.
Como ainda não tinha computador em casa, resolvi fazer minha estação de cobaia (escondido do chefe) instalando o Red Hat 6.0. Penei muito mesmo, pois a instalação dele ainda não era muito amigável, e aquela "parada" de particionar o disco me deixou de cabelo em pé por duas semanas. Fiz backup de tudo e encarei o bicho, instalando, configurando uma coisa aqui, outra ali, adicionando pacotes, resolvendo bombas e tudo mais.
Além de gerenciar o servidor, também estava começando a fazer trabalhos de design gráfico para esta empresa, no que fui tomando gosto pela coisa, mas por hora teria de abandonar precocemente minha recente paixão por motivos que dispensam explicações. Neste meio tempo me dediquei integralmente ao design, aprendendo os principais aplicativos existentes no mercado como Illustrator, Photoshop, PageMaker, InDesign, e outros mais.
O tempo foi passando, passando e, entre uma conversa aqui e outra ali nos IRCs da vida comecei a perguntar sobre design em plataforma Linux, uma vez que era um sonho particular poder trabalhar com design no ambiente que mais gostava. Para minha surpresa, começaram a aparecer dicas de aplicativos que ainda não tinha ouvido falar: Inkscape, Gimp, Scribus e outros.
Pronto, minhas preces foram ouvidas, então comecei a "perobar" pela net atrás destes aclamados. Hoje trabalho em uma instituição de ensino, que por sua vez é responsável pela produção do material didático de toda sua rede. Temos um setor de produção de textos, digitação, tratamento de imagens, equipados com 45 estações rodando Windows e aqueles aplicativos da "suíte" Adobe citados anteriormente e ainda com Microsoft Office.
Tenho lido e ouvido muitos casos de sucesso envolvendo a implantação de ambiente Linux onde antes reinavam outras plataformas, mas todos estes casos (pelo menos os que vi) tratam de aplicações como terminais de Internet, PDVs, terminais de consulta em lojas de departamento, caixas eletrônicos, mas nunca tinha ouvido falar em empreitadas mais "pesadas".
Tenho feito muitos testes com essa "suíte" que montei e posso dizer com toda a segurança, o Linux é capaz SIM de realizar essas tarefas e digo mais, com muito mais rapidez e eficiência.
Um dia desses, peguei um módulo de nosso material e fiz todo o processo que envolve sua produção: digitação, tratamento das imagens, criação dos desenhos e diagramação. Para finalizar, gerei um PDF e levei para a empresa. Pedi para o responsável pela saída dos Lasers Film que substituísse aquele mesmo módulo já diagramado no Indesign, por aquele que tinha feito, introduzindo então o PDF. Saída perfeita, sem nenhum problema com fontes, separação de cores, nada. Levei o filme para a Gráfica para a revelação da chapa, acompanhando todo o processo (parecia que estava aguardando o nascimento do meu primeiro filho na maternidade) até sua impressão. Quando vi o resultado, suspirei e disse para mim mesmo: - Feito em Linux!
Após essa experiência, retirei o Windows de meu PC definitivamente.
Chegamos ao ponto crucial. A empresa onde trabalho tem 45 estações de produção conforme tinha dito acima, mas com cópias piratas de todos os softwares. Houve até uma época em que foram solicitados orçamentos para licenciamento dos principais, mas... quando o chefe viu os preços, tive de emprestar meu desfibrilador pra nele.
"Enquanto isso na sala de justiça"... comecei a elaborar um projeto que envolvia todo um processo de substituição de plataforma e pacotes de softwares para um ambiente livre, que compreende além da troca de sistema, treinamento para os funcionários deste setor, que teriam de "desmamar" do Windows. Este projeto ainda esta em desenvolvimento, mas acredito que, com muita perseverança, muito diálogo e espírito inovador vou conseguir vencer o fantasma do preconceito, quebrando a resistência de alguns dinossauros, o que é natural em mentes dominadas pelo demônio...:P
Quando meu projeto começar a ser implantado (Medalha, medalha, medalha !!!), vou informando a vocês todos os detalhes.
Concluindo, se você está passando por uma situação parecida, não desista, o Linux, já consagrado em ambientes de servidor, hoje está num estágio muito maduro e perfeitamente produtivo no quesito desktop. Muitas pessoas têm medo do mudar, ficam receosas. Sabe qual o melhor jeito de você usar Linux? Usando.
Acredite, a maioria das pessoas ainda pensa que computador é "Windows, Word, Excel e PowerPoint". Pior ainda, quando se pergunta onde ela fez tal trabalho, a resposta vem como uma facada:
- "Digitei no Windows !!!"
Aí começo a ter sintomas de infarto, mas graças ao meu revolucionário desfibrilador portátil, dou algumas esfregadas e TUFFF!!!, e volto ao normal.
Falando sério, o que acontece não é culpa das pessoas, é da cultura. E as "escolas" de informática são as mais responsáveis pela manutenção dessa cultura. Explico. O usuário (que já vem com uma parcela de culpa) chega no balcão da Bit Company e diz que quer fazer um curso de informática, a atendente vendo sua cara de otário, lhe propõe o "pacote básico" onde é composto por quem?, quem?, quem?... Windows, Word, Excel e Powerpoint..., opa, zuinnnnn!, TUFFFF!!! Ahh, estou melhor agora, que revolução hein!
Vamos fazer uma pequena viagem até a terra do Tio Sam. Qual sistema operacional, ou melhor, qual o computador que manda no pedaço? Se você respondeu Windows, só porque o Bill mora lá, pode voltar pro "Mobral" cara. Faça um teste, pergunte a uma criança AMERICANA de oito anos o que é um Macintosh, e ela te responde na lata:
- "It's computer. My father has one!
Tudo bem, admito que algumas vão responder que é uma maçã, ou melhor dizendo, It's apple! e tudo se explica.
O Linux foi concebido com a clara proposta de se introduzir um "sabor" do Unix nas mãos dos mortais, sem aquela pretensão de dar uma rasteira nos outros SOs de desktop (mas já dando), mas se pararmos para pensar, verá que é a ordem natural das coisas.
Realiza. Acabo de instalar a distro FRIGOLEI SAMBANGA LINUX 5.2.3.3.9.56, que comprei na banca do seu Joaquim e, ao reiniciar meu PC vejo algo diferente, o Lilo, que chamo carinhosamente de "porta do prazer". É onde falava pro Windows que não era a vez dele. Sou designer gráfico e tinha Windows instalado em meu micro e no micro da empresa com a desculpa de que não havia softwares para essa área no Linux, estava redondamente enganado.
Tive meu primeiro contato com Linux quando era administrador de sistemas em um laboratório de análises clínicas, lá usava o Red Hat e um banco de dados sapateando em cima dele. Mas, na condição de servidor, não podia fuçar muito nele devido ao contrato com nosso suporte técnico, que por questões de segurança, não me dava muitas liberdades.
Como ainda não tinha computador em casa, resolvi fazer minha estação de cobaia (escondido do chefe) instalando o Red Hat 6.0. Penei muito mesmo, pois a instalação dele ainda não era muito amigável, e aquela "parada" de particionar o disco me deixou de cabelo em pé por duas semanas. Fiz backup de tudo e encarei o bicho, instalando, configurando uma coisa aqui, outra ali, adicionando pacotes, resolvendo bombas e tudo mais.
Além de gerenciar o servidor, também estava começando a fazer trabalhos de design gráfico para esta empresa, no que fui tomando gosto pela coisa, mas por hora teria de abandonar precocemente minha recente paixão por motivos que dispensam explicações. Neste meio tempo me dediquei integralmente ao design, aprendendo os principais aplicativos existentes no mercado como Illustrator, Photoshop, PageMaker, InDesign, e outros mais.
O tempo foi passando, passando e, entre uma conversa aqui e outra ali nos IRCs da vida comecei a perguntar sobre design em plataforma Linux, uma vez que era um sonho particular poder trabalhar com design no ambiente que mais gostava. Para minha surpresa, começaram a aparecer dicas de aplicativos que ainda não tinha ouvido falar: Inkscape, Gimp, Scribus e outros.
Pronto, minhas preces foram ouvidas, então comecei a "perobar" pela net atrás destes aclamados. Hoje trabalho em uma instituição de ensino, que por sua vez é responsável pela produção do material didático de toda sua rede. Temos um setor de produção de textos, digitação, tratamento de imagens, equipados com 45 estações rodando Windows e aqueles aplicativos da "suíte" Adobe citados anteriormente e ainda com Microsoft Office.
Tenho lido e ouvido muitos casos de sucesso envolvendo a implantação de ambiente Linux onde antes reinavam outras plataformas, mas todos estes casos (pelo menos os que vi) tratam de aplicações como terminais de Internet, PDVs, terminais de consulta em lojas de departamento, caixas eletrônicos, mas nunca tinha ouvido falar em empreitadas mais "pesadas".
Tenho feito muitos testes com essa "suíte" que montei e posso dizer com toda a segurança, o Linux é capaz SIM de realizar essas tarefas e digo mais, com muito mais rapidez e eficiência.
Um dia desses, peguei um módulo de nosso material e fiz todo o processo que envolve sua produção: digitação, tratamento das imagens, criação dos desenhos e diagramação. Para finalizar, gerei um PDF e levei para a empresa. Pedi para o responsável pela saída dos Lasers Film que substituísse aquele mesmo módulo já diagramado no Indesign, por aquele que tinha feito, introduzindo então o PDF. Saída perfeita, sem nenhum problema com fontes, separação de cores, nada. Levei o filme para a Gráfica para a revelação da chapa, acompanhando todo o processo (parecia que estava aguardando o nascimento do meu primeiro filho na maternidade) até sua impressão. Quando vi o resultado, suspirei e disse para mim mesmo: - Feito em Linux!
Após essa experiência, retirei o Windows de meu PC definitivamente.
Chegamos ao ponto crucial. A empresa onde trabalho tem 45 estações de produção conforme tinha dito acima, mas com cópias piratas de todos os softwares. Houve até uma época em que foram solicitados orçamentos para licenciamento dos principais, mas... quando o chefe viu os preços, tive de emprestar meu desfibrilador pra nele.
"Enquanto isso na sala de justiça"... comecei a elaborar um projeto que envolvia todo um processo de substituição de plataforma e pacotes de softwares para um ambiente livre, que compreende além da troca de sistema, treinamento para os funcionários deste setor, que teriam de "desmamar" do Windows. Este projeto ainda esta em desenvolvimento, mas acredito que, com muita perseverança, muito diálogo e espírito inovador vou conseguir vencer o fantasma do preconceito, quebrando a resistência de alguns dinossauros, o que é natural em mentes dominadas pelo demônio...:P
Quando meu projeto começar a ser implantado (Medalha, medalha, medalha !!!), vou informando a vocês todos os detalhes.
Concluindo, se você está passando por uma situação parecida, não desista, o Linux, já consagrado em ambientes de servidor, hoje está num estágio muito maduro e perfeitamente produtivo no quesito desktop. Muitas pessoas têm medo do mudar, ficam receosas. Sabe qual o melhor jeito de você usar Linux? Usando.