Vale a pena ter mais de uma interface grafica no seu Linux?
Nesse artigo conto a minha experiência de usuário constante de Linux no uso de 3 interfaces gráficas: Gnome, Plasma 6 e XFCE - e os prós e contras desse uso.
Tudo é uma questão de escolha
Nos meus anos de uso deLinux (sim, eu não uso só por um dia e depois largo) já usei todo tipo de interface gráfica (ou ambiente de desktop) e de versões de Linux, de principais até as derivadas e hoje em dia prefiro usar uma principal customizada com o que eu preciso. Não adianta pegar uma "baseada" do tipo "podrão da Central" (termo no RJ para aquele sanduba com tudo dentro) onde o "desenvolvedor" enfia nessa "distribuição" tudo o que ele acha que o usuário vai precisar no dia a dia e tira desse mesmo usuário o eventual e valioso aprendizado para implementar um desktop mais produtivo.Muitos usuários usam a máquina do jeito que recebem, acham um saco ou mesmo perda de tempo deixar o sistema funcional para as suas necessidades. Pra que perder tempo em fóruns e vídeos na internet que pedem Pix de 10 pilas e ensinam como configurar as coisas se fumar e beber - que são coisas dispensáveis - são prazeres temporários e mais caras do que conhecimento? Cadê a curiosidade, a vontade de experimentar, deixar as coisas do seu jeito? Essas coisas devem estar nas telas do Tigrinho...
Aqui vou falar dos prós e contras de se usar mais de uma interface gráfica no seu desktop Linux.
Alguns prós
- Aumenta o leque de aprendizado e experiência de uso;
- Se um ambiente morrer tem outras opções;
- Integração de aplicativos ou recursos que funcionam melhor em um ambiente gráfico do que em outro;
- Se ficar de saco cheio de uma interface (e acredite, vai ficar) dá pra trocar por outra sem precisar instalar/desinstalar.
Alguns contras
- Aumenta o espaço em disco utilizado;
- Aumenta o tamanho da instalação final e dos eventuais updates de pacotes ao longo do uso;
- Os menus de aplicativos acabam ficando mais poluídos pelos outros aplicativos das outras interfaces gráficas;
- Bibliotecas redundantes (no caso, GTK e QT);
- Serviços que se iniciam e que não pertencem ao ambiente em uso, como dois serviços de notificação ou dois keyrings de senhas;
- A aparência entre aplicativos pode ficar "feia" se rodarem no ambiente ao qual não "pertencem".
A imagem acima mostra como fica a sessão Sistema tendo
Gnome, Plasma 6 e XFCE na mesma máquina, onde é mostrado ícones de programas das 3 interfaces gráficas. Algumas não são mostradas pois alguns arquivos .desktop tem a variável OnlyShowIn=XFCE. Por exemplo, o Cairo-Dock:[Desktop Entry]
Type=Application
Exec=cairo-dock
Icon=cairo-dock
Terminal=false
Name=Cairo-Dock
Comment=A light and eye-candy dock and desklets for your desktop.
Comment[pt_BR]=Um dock de aplicativos bonito e leve com desklets para o seu ambiente de trabalho.
Categories=System;
OnlyShowIn=XFCE;
Hidden=false
Type=Application
Exec=cairo-dock
Icon=cairo-dock
Terminal=false
Name=Cairo-Dock
Comment=A light and eye-candy dock and desklets for your desktop.
Comment[pt_BR]=Um dock de aplicativos bonito e leve com desklets para o seu ambiente de trabalho.
Categories=System;
OnlyShowIn=XFCE;
Hidden=false
Esse parâmetro faz com que o ícone do Cairo-Dock só apareça no XFCE e isso é usado nos .desktops para permitir ou não que programas de um ambiente "apareçam" em outro. Isso não é padrão de ser feito, eu mesmo coloquei esse parâmetro para que o Cairo-Dock apareça só no XFCE mesmo porque estou satisfeito com o
Dash to Dock do Gnome e com o painel de ícones do Plasma 6. E atenção, o ícone pode não aparecer MAS o programa ainda estará disponível para ser aberto.Tirando os "contras" não há problemas no uso de mais de uma interface gráfica, o que gere isso é basicamente a necessidade pessoal. Os desktops podem ser configurados de modo que os ícones de programas "oficiais" do ambiente fiquem mais acessíveis.
Por exemplo, a extensão Dash To Dock permite que o usuário coloque os programas que mais usa no dock de ícones que fica disponível o tempo todo e, em modo overview, juntar na primeira janela de ícones o resto dos programas que usa "menos vezes" e o resto ele "joga pra lá" (nas outras telas do overview).
No Plasma, a mesma coisa. O dock de ícones recebe os programas mais utilizados e o
Kicker (o menu de aplicativos) tem a possibilidade de se colocar os outros favoritos na listagem.E no XFCE - que pode ser visto na primeira imagem, o Cairo-Dock possui os ícones dos programas mais usados, ficando o resto no menu de aplicativos e que podem ser chamados pelo
U-Launcher (no meu caso).Só quando se usa ambientes de desktop cujos menus de ícones são mais "crus" (como o do XFCE) é que o caldo pode engrossar. A combinação de interfaces como
Mate, Cinnamon e XFCE podem dar mais trabalho de serem configuradas mas, no final, o efeito é o mesmo, cada ambiente configurado com o que mais se usa sem interferir no funcionamento do outro ambiente.Até pode dar trabalho mas vale a pena.
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