Enviado em 18/02/2024 - 03:21h
E ai pessoas desse site verde radioativo brilhante feito césio-131, tudo beleza?
Eu quero falar de um assunto que talvez mexa com muita gente, mas que nem todo mundo percebe a utilidade da coisa: crenças.
Não é especificamente religião, mas envolve algo nesse sentido, mas principalmente envolve o autoconhecimento.
As vezes vejo certos amigos que não citarei nomes, focar tanto em coisas como trabalho, estudo, coisas de casa, etc, que não tiram nenhum minuto pra fazer uma simples autoavaliação como com essas perguntas:
--tudo isso que estou fazendo, pensando, planejando, realmente faz senido pra mim? Ou é algo que supostamente faz mas não é o "certo"?
--quais meus propósitos? Por que faço o que faço? Por que devo ser bom e não mau? Será que existe mesmo essa dualidade?
--e o que eu faria se soubesse que a pessoa que mais amo iria morrer dentro de 7 dias?
--se eu continuar do jeito que estou, o que será que vai acontecer daqui 1 ano? Será que quando tiver 60 anos, vou sentir remorso quando lembrar das coisas que não fiz por medo ou por negação minha?
Esse tipo de perguntas, pode não mexer com todos, mas mexe com alguns, e é pra esse alguns que quero falar aqui.
As crenças são fortemente ligadas a memória, por exemplo: quando vc vê algo, digamos uma palavra como "maçã", sua mente dispara lembranças e essas lembranças disparam crenças, e essas crenças disparam comportamentos, os comportamentos dependem da intensidade da memória. Imagine por exemplo uma mulher que passou por abuso sexual na infância, ela com certeza fica muito mal quando tenta por vontade buscar lembrar do momento em que ocorreu o abuso, e com isso, o comportamento dela pode ser vísivel (chorar, ficar irritada com alguém, etc), ou mesmo invisível pra alguém externo (como o coração acelerar, subir os níveis de cortisol no sangue, etc).
Quando se está dormindo, a pessoa não desliga simplesmente, continua ouvindo e processando tudo, só que num nível muito mais leve do que quando acordada.
Pra vcs terem uma ideia, minha mãe gosta de assistir a missa na TV sempre as 9h da manhã, e um belo dia eu tava deitado dormindo, e tenho um sonho horrível com temática de violência, no sonho eu tinha sido assaltado e espancado, dai eu acordo no susto e o que está passando na tv no exato momento que eu acordo? R: um padre falando sobre violência, não exatamente dizendo pra ser violento, mas citando coisas que lembram violência.
Percebem como é a coisa? Qualquer estímulo externo ou interno que faça ativar memórias na mente da pessoa sempre ativará de alguma forma um comportamento, sentimento, etc. Não importa o que seja.
E é ai onde entramos na questão:
--se uma simples fala "inocente" de um padre é capaz de desencadear um sonho de violência, o que dirá por exemplo quando eu leio uma notícia na internet? Ou apenas vejo a página do google notícias? Ou mesmo ouço o vizinho discutir com sua esposa?
Basicamente, o que estou dizendo é que crenças são uma coisa central na vida de todo humano, não tem essa de "eu não tenho crenças", é simplesmente impossível um humano não ter crenças e crenças não me refiro a religião ou opinião, mas sim a padrões internos que cada um tem, que é aprendido em sociedade ou mesmo já vem pronto de fábrica, como um bebê que nunca viu uma cobra antes mas quando vê uma ele sente medo porque tá na programação de defesa dele.
E vc pode dizer: --tá mas o que isso tem a ver? Qual o sentido disso? Papo reto, marreco!
Tem tudo a ver cara, tudo o que vc usa nos sentidos (audição, paladar, tato, visão, olfato) gera algum tipo de comportamento em vc, o problema é quando por exemplo, o estímulo é tão sutil que a pessoa ignora e no longo prazo, é que vem o problema. Um exemplo disso é com alimentação, o famoso "óleo de soja" é o principal responsável por doenças cardíacas, mas se eu for dizer pra alguém que gosta de comer carne frita que ele pode acabar adoecendo pelo consumo de óleo via carne, ele pode me dizer: deixa de ser tonto! (ou algo mais pejorativo rsrsrs).
Mas pense comigo: por que tal pessoa simplesmente não reage contra o estímulo?
Porque o estímulo é muito fraco, por exemplo, é mais fácil fugir de um tigre feroz que tu vẽ claramente que quer te matar, do que fugir de comer fritura que em uns 20 anos pode fazer adoecer. Ou seja, tigre feroz é um estímulo muito forte nos sentidos, já o óleo é um estímulo muito mais fraco, e inclusive esse óleo até é associado com o prazer de comer carne frita, e ai a situação piora mais ainda e fica difícil uma reversão.
E vcs sabem o que acontece quando alguém adoece né?
--ai meu Deus, eu não merecia sofrer!
--vou rezar 666 pai nossos pra ficar curado
--vou dar 50% do salário pro pastor me curar
Entre outras tantas coisas que remente a autopiedade.
Outro exemplo:
--eu tive (sim tive) uma doença por longos 11 anos, e estudando a doença nesse período, eu descobri como estabilizar e eliminar ela completamente por via da alimentação saudável.
Dai chega um tempo ai estou lá eu na psicóloga:
Eu: --devia ter uma cura pra essa doença, não quero tomar remédio pro resto da vida!
Psicóloga: --mas é o normal,, todo "doente" deve tomar remédio.
Eu: --não faz sentido, tem algo errado ai e não sei explicar.
Psicóloga: --é que tu não gosta de tomar remédio e por isso nega eles.
Eu: [só olha]
E depois abandonei todo o medicamento que usava nos 11 anos, e agora to aqui 6 meses do mesmo jeito saudável e sem a doença.
--Onde está seu Deus farmacêutico agora, psicóloga?
Ser responsável por si mesmo, é uma coisa que quase ninguém quer assumir, porque a sociedade ocidental como um todo é tão doente quanto um de seus membros.
No caso ai meu com a psicóloga, eu reparei que lá no ambiente em que fui atendido nesses anos e onde ela trabalha, todo funcionário lá tem um padrão do tipo "ter pena do paciente pra ele sentir pena de si mesmo e ficar confortável". Mas cara, reforçar a autopiedade no paciente nunca funcionará como tratamento. E esse comportamento de fazer o paciente sentir pena de si mesmo é uma crença interna de muitos profissionais no ramo de saúde, que fique claro que isso não é um insulto, mas apenas uma observação minha.
Esse é um esboço de texto sobre pensamento sistêmico.
No caso ali do exemplo de ficar doente no longo prazo, é conhecido como "Síndrome do Sapo na Panela":
https://fisul.edu.br/noticias/acomodacao-a-sindrome-do-sapo-na-panela
Enfim, a vc que leu até aqui, o que acha disso tudo? Tem algo a adicionar? Algo a criticar? Algo a concordar?
Eu quero falar de um assunto que talvez mexa com muita gente, mas que nem todo mundo percebe a utilidade da coisa: crenças.
Não é especificamente religião, mas envolve algo nesse sentido, mas principalmente envolve o autoconhecimento.
As vezes vejo certos amigos que não citarei nomes, focar tanto em coisas como trabalho, estudo, coisas de casa, etc, que não tiram nenhum minuto pra fazer uma simples autoavaliação como com essas perguntas:
--tudo isso que estou fazendo, pensando, planejando, realmente faz senido pra mim? Ou é algo que supostamente faz mas não é o "certo"?
--quais meus propósitos? Por que faço o que faço? Por que devo ser bom e não mau? Será que existe mesmo essa dualidade?
--e o que eu faria se soubesse que a pessoa que mais amo iria morrer dentro de 7 dias?
--se eu continuar do jeito que estou, o que será que vai acontecer daqui 1 ano? Será que quando tiver 60 anos, vou sentir remorso quando lembrar das coisas que não fiz por medo ou por negação minha?
Esse tipo de perguntas, pode não mexer com todos, mas mexe com alguns, e é pra esse alguns que quero falar aqui.
As crenças são fortemente ligadas a memória, por exemplo: quando vc vê algo, digamos uma palavra como "maçã", sua mente dispara lembranças e essas lembranças disparam crenças, e essas crenças disparam comportamentos, os comportamentos dependem da intensidade da memória. Imagine por exemplo uma mulher que passou por abuso sexual na infância, ela com certeza fica muito mal quando tenta por vontade buscar lembrar do momento em que ocorreu o abuso, e com isso, o comportamento dela pode ser vísivel (chorar, ficar irritada com alguém, etc), ou mesmo invisível pra alguém externo (como o coração acelerar, subir os níveis de cortisol no sangue, etc).
Quando se está dormindo, a pessoa não desliga simplesmente, continua ouvindo e processando tudo, só que num nível muito mais leve do que quando acordada.
Pra vcs terem uma ideia, minha mãe gosta de assistir a missa na TV sempre as 9h da manhã, e um belo dia eu tava deitado dormindo, e tenho um sonho horrível com temática de violência, no sonho eu tinha sido assaltado e espancado, dai eu acordo no susto e o que está passando na tv no exato momento que eu acordo? R: um padre falando sobre violência, não exatamente dizendo pra ser violento, mas citando coisas que lembram violência.
Percebem como é a coisa? Qualquer estímulo externo ou interno que faça ativar memórias na mente da pessoa sempre ativará de alguma forma um comportamento, sentimento, etc. Não importa o que seja.
E é ai onde entramos na questão:
--se uma simples fala "inocente" de um padre é capaz de desencadear um sonho de violência, o que dirá por exemplo quando eu leio uma notícia na internet? Ou apenas vejo a página do google notícias? Ou mesmo ouço o vizinho discutir com sua esposa?
Basicamente, o que estou dizendo é que crenças são uma coisa central na vida de todo humano, não tem essa de "eu não tenho crenças", é simplesmente impossível um humano não ter crenças e crenças não me refiro a religião ou opinião, mas sim a padrões internos que cada um tem, que é aprendido em sociedade ou mesmo já vem pronto de fábrica, como um bebê que nunca viu uma cobra antes mas quando vê uma ele sente medo porque tá na programação de defesa dele.
E vc pode dizer: --tá mas o que isso tem a ver? Qual o sentido disso? Papo reto, marreco!
Tem tudo a ver cara, tudo o que vc usa nos sentidos (audição, paladar, tato, visão, olfato) gera algum tipo de comportamento em vc, o problema é quando por exemplo, o estímulo é tão sutil que a pessoa ignora e no longo prazo, é que vem o problema. Um exemplo disso é com alimentação, o famoso "óleo de soja" é o principal responsável por doenças cardíacas, mas se eu for dizer pra alguém que gosta de comer carne frita que ele pode acabar adoecendo pelo consumo de óleo via carne, ele pode me dizer: deixa de ser tonto! (ou algo mais pejorativo rsrsrs).
Mas pense comigo: por que tal pessoa simplesmente não reage contra o estímulo?
Porque o estímulo é muito fraco, por exemplo, é mais fácil fugir de um tigre feroz que tu vẽ claramente que quer te matar, do que fugir de comer fritura que em uns 20 anos pode fazer adoecer. Ou seja, tigre feroz é um estímulo muito forte nos sentidos, já o óleo é um estímulo muito mais fraco, e inclusive esse óleo até é associado com o prazer de comer carne frita, e ai a situação piora mais ainda e fica difícil uma reversão.
E vcs sabem o que acontece quando alguém adoece né?
--ai meu Deus, eu não merecia sofrer!
--vou rezar 666 pai nossos pra ficar curado
--vou dar 50% do salário pro pastor me curar
Entre outras tantas coisas que remente a autopiedade.
Outro exemplo:
--eu tive (sim tive) uma doença por longos 11 anos, e estudando a doença nesse período, eu descobri como estabilizar e eliminar ela completamente por via da alimentação saudável.
Dai chega um tempo ai estou lá eu na psicóloga:
Eu: --devia ter uma cura pra essa doença, não quero tomar remédio pro resto da vida!
Psicóloga: --mas é o normal,, todo "doente" deve tomar remédio.
Eu: --não faz sentido, tem algo errado ai e não sei explicar.
Psicóloga: --é que tu não gosta de tomar remédio e por isso nega eles.
Eu: [só olha]
E depois abandonei todo o medicamento que usava nos 11 anos, e agora to aqui 6 meses do mesmo jeito saudável e sem a doença.
--Onde está seu Deus farmacêutico agora, psicóloga?
Ser responsável por si mesmo, é uma coisa que quase ninguém quer assumir, porque a sociedade ocidental como um todo é tão doente quanto um de seus membros.
No caso ai meu com a psicóloga, eu reparei que lá no ambiente em que fui atendido nesses anos e onde ela trabalha, todo funcionário lá tem um padrão do tipo "ter pena do paciente pra ele sentir pena de si mesmo e ficar confortável". Mas cara, reforçar a autopiedade no paciente nunca funcionará como tratamento. E esse comportamento de fazer o paciente sentir pena de si mesmo é uma crença interna de muitos profissionais no ramo de saúde, que fique claro que isso não é um insulto, mas apenas uma observação minha.
Esse é um esboço de texto sobre pensamento sistêmico.
No caso ali do exemplo de ficar doente no longo prazo, é conhecido como "Síndrome do Sapo na Panela":
https://fisul.edu.br/noticias/acomodacao-a-sindrome-do-sapo-na-panela
Enfim, a vc que leu até aqui, o que acha disso tudo? Tem algo a adicionar? Algo a criticar? Algo a concordar?