Minha primeira visita ao iTown
Neste pequeno artigo eu desabafo minha insatisfação ao entrar numa iTown.
Introdução
Peço desculpas antecipadamente aos fãs do Mac OS e dos produtos da Apple em geral. Não porque irei falar mal deles, mas porque posso causar algum mal entendido. Meu objetivo, que fique claro, é apenas registrar o que aconteceu comigo. Não tenho absolutamente nada contra a Apple nem contra o sistema Mac OS que me parece ser muito bom.
Há meses eu pensava em adquirir um Macbook. Depois de experimentar várias distros Linux e nunca me decidir por uma devido a minha crise de distro, imaginava que talvez com o Mac eu sossegasse. Ficaria com um sistema bonito, estável, baseado em Unix, fácil de usar e que não trava (de acordo com o que se ouve falar). Seria como ter um Linux perfeito (todo configurado), cheguei a pensar. Além de um Macbook, imaginei que também futuramente poderia aderir aos demais produtos da Apple como Ipad e Iphone.
No trabalho um colega comentou que queria comprar um Mac para se livrar de vez dos problemas de vírus, e que poderia usar o Office numa boa, etc e tal e acabou falando que havia inaugurado uma iTown no Shopping Recife. Eu sabia que iria inaugurar uma lojinha da Apple, mas não sabia que já havia sido inaugurada. Achei ótimo a notícia. Eu poderia visitar a iTown e dependendo do que visse, poderia me decidir se valeria a pena comprar um Mac.
Li no livro A Cabeça de Steve Jobs que uma loja da Apple é estrategicamente preparada em todos os detalhes desde sua localização até a disposição dos itens dentro da loja para causar o melhor efeito possível. Que costumam contratar vendedores que gostam de tecnologia e estão loucos para trabalhar na loja. Lembro que no livro dizia que antes de começarem a abrir lojas, Steve e sua equipe fizeram uma loja modelo secreta onde passaram não sei quanto tempo estudando como ela deveria ser. A loja deveria ser como um local público, uma biblioteca, uma local para experiência e não apenas para ver os produtos. Fala-se muito da loja da Apple no livro tamanha sua importância.
Eu já me imaginava lá na loja sendo super bem recebido por alguma linda vendedora que iria me dar atenção exclusiva e me mostraria todos os prós do Macbook e como ele é superior aos outros sistemas e como no final das contas valeria pagar uns cinco mil por ele apesar da configuração modesta.
Para a minha namorada eu dizia que iria juntar dinheiro para comprar um Macbook, só para vê-la zangada! Porque ela acha desperdício de dinheiro. "Pra quê pagar tão caro pra fazer as mesmas coisas que se faz com o Linux?" - dizia ela. Sim, eu pensava nisso também, e é por isso que eu tinha que visitar uma iTown e fazer um test drive num Macbook para ver o diferencial.
Na minha última ida ao shopping entrei logo na iTown recém inaugurada. É essa que está na foto. Ao entrar olhei para os lados. Havia gente navegando na Internet e vendedores ocupados e outros não. Como ninguém veio até mim pensei em mostrar mais interesse fuçando um Macbook. Achei o Macbook graficamente bonito e elegante no geral, mas nada além do que eu esperasse. Acessei a Internet, testei os menus, naveguei nas pastas, etc. Parecia estranhamente familiar, provavelmente porque certos detalhes existem em alguns temas para Linux. Não consegui, porém, maximizar janelas. Eu tinha lido sobre isso em algum lugar, que era preciso instalar um plugin para permitir maximizar janelas. Veja o problema e sua solução no vídeo:
Eu também não conseguia arrastar janelas. No Gnome do Linux, no touchpad, eu dou dois cliques na barra de título da janela, sendo que no segundo clique eu seguro e movo o dedo. No Mac, esse gesto de uma única mão, tão simples, não funcionava. Educadamente chamei um vendedor e pedi sua ajuda para maximizar a janela, ele tentou clicando na bolinha verde, mas sem sucesso. Claro! Como descobri depois o botão zoom não é para maximizar e sim para abrir a janela de forma a exibir todo seu conteúdo.
O vendedor disse que estava pesquisando isso. Achei estranho o vendedor da Apple não conhecer o seu produto. Ele chamou uma colega vendedora que sem dizer nada "maximizou" a janela esticando o seu tamanho (redimensionando) arrastando o cursor do mouse a partir do canto inferior direito, como se faz nos demais sistemas. Porém após isso ela simplesmente me deu as costas! Que horror! E minhas outras dúvidas? E quanto ao trabalho de me convencer a comprar um Macbook?
Eu não perdi a paciência. Chamei-a novamente e tentei explicar que queria arrastar janelas. Ela arrastou, mas nem vi o que ela tinha feito e já ia saindo de novo! Mas antes eu perguntei o que ela tinha feito e ela mostrou: segurando o canto inferior esquerdo do touchpad com um dedo e movendo o cursor do mouse com o dedo da outra mão. Beleza. Ela me deixou.
A essa altura eu tinha perdido um pouco do interesse no Mac porque o que eu tinha visto (bem pouco, eu sei) parecia não compensar o preço. Resolvi fuçar por minha conta, entrei no gerenciador de e-mail, vídeos, etc. Nada porém além do que eu faria no Linux. Claro que as vantagens do Mac existem, eu só não tive quem me ajudasse a descobrí-las.
Após uns 10 minutos a vendedora voltou perguntando se eu tinha gostado. Eu achei meio decepcionante e disse que estava tentando comparar com o Linux. Ela perguntou o que eu fazia, com o óbvio intuito de saber minha condição financeira. Ela me mostrou alguns gestos no touchpad bem legais. Depois mostrou a configuração do Macbook e o preço. Assim, secamente. Eu disse que se decidisse comprar faria uma poupança antes. Ela sorriu educadamente.
Eu me perguntei: "por que eu vou pagar tudo isso só para ter um sistema com efeitos legais, sendo que efeitos legais não faltam no Linux e de forma muito mais configurável?" Sim, eu sei que o Mac não só tem efeitos legais. Mas foi isso o que a vendedora mostrou. Nada mais. Eu queria ser convencido a comprar. Mas pelo jeito se eu perguntasse porque deveria comprar, a resposta também seria uma decepção. Seria algo como "não pega vírus, é bonito, tem efeitos, o software e o hardware foram feitos um para o outro e por isso não trava". Isso não seria suficiente para mim. E outra, talvez não trave como Windows, mas trava sim.
Saí de lá decepcionado com o atendimento, muito diferente do que tinha imaginado. Ninguém me mostrou porque valeria a pena pagar o preço do Macbook. Não me mostraram o diferencial. Gestos no touchpad e efeitos legais não compensam o preço. Fiquei com a sensação de que essa aura de perfeição em torno dos produtos da Apple era uma farsa, puro marketing. Quando fui a uma livraria depois e vi que lá também tinha produtos da Apple a venda, com depoimentos em vídeo das pessoas dizendo porque o Mac OS é tão maravilhoso, ainda meio indignado pensei: "Que balela! É bom, mas também não é isso tudo. Metade do sucesso da Apple (ou mais) é puro marketing!".
Sim, foi um pensamento injusto! Eu sei. Principalmente porque eu nunca tive um Macbook. Mas expressou minha frustração com o atendimento da loja. Quando cheguei em casa formatei meu notebook, tirei Debian e instalei Fedora 15 com Gnome 3, que pode não ter toda beleza do Mac, mas é muito produtivo, mais que o Mac (se bem que isso é opinião de cada um). É baseado em Unix também, não me preocupo com vírus, roda Windows e programas do Windows, compatível com todo meu hardware, impressora, Bluetooth, etc. Tudo sem ter que pagar um centavo. Além disso tenho a liberdade de configuração inigualável, podendo construir o sistema do zero só com o que eu quero, com várias opções de ambientes gráficos, posso adaptar o Linux para minhas necessidades e qualquer configuração, mesmo as mais modestas possíveis.
Sim, o Linux é mais trabalhoso que o Mac que já vem pronto bastando ligar na tomada. Pois exige do usuário algumas configurações, pesquisas, tirar dúvidas e aprender. Mas eu amo isso! Adoro aprender. Depois que aprendemos fica fácil.
Se você pretende comprar um Mac, espero que tenha mais sorte que eu.
Abraço.
Há meses eu pensava em adquirir um Macbook. Depois de experimentar várias distros Linux e nunca me decidir por uma devido a minha crise de distro, imaginava que talvez com o Mac eu sossegasse. Ficaria com um sistema bonito, estável, baseado em Unix, fácil de usar e que não trava (de acordo com o que se ouve falar). Seria como ter um Linux perfeito (todo configurado), cheguei a pensar. Além de um Macbook, imaginei que também futuramente poderia aderir aos demais produtos da Apple como Ipad e Iphone.
No trabalho um colega comentou que queria comprar um Mac para se livrar de vez dos problemas de vírus, e que poderia usar o Office numa boa, etc e tal e acabou falando que havia inaugurado uma iTown no Shopping Recife. Eu sabia que iria inaugurar uma lojinha da Apple, mas não sabia que já havia sido inaugurada. Achei ótimo a notícia. Eu poderia visitar a iTown e dependendo do que visse, poderia me decidir se valeria a pena comprar um Mac.
Li no livro A Cabeça de Steve Jobs que uma loja da Apple é estrategicamente preparada em todos os detalhes desde sua localização até a disposição dos itens dentro da loja para causar o melhor efeito possível. Que costumam contratar vendedores que gostam de tecnologia e estão loucos para trabalhar na loja. Lembro que no livro dizia que antes de começarem a abrir lojas, Steve e sua equipe fizeram uma loja modelo secreta onde passaram não sei quanto tempo estudando como ela deveria ser. A loja deveria ser como um local público, uma biblioteca, uma local para experiência e não apenas para ver os produtos. Fala-se muito da loja da Apple no livro tamanha sua importância.
Eu já me imaginava lá na loja sendo super bem recebido por alguma linda vendedora que iria me dar atenção exclusiva e me mostraria todos os prós do Macbook e como ele é superior aos outros sistemas e como no final das contas valeria pagar uns cinco mil por ele apesar da configuração modesta.
Para a minha namorada eu dizia que iria juntar dinheiro para comprar um Macbook, só para vê-la zangada! Porque ela acha desperdício de dinheiro. "Pra quê pagar tão caro pra fazer as mesmas coisas que se faz com o Linux?" - dizia ela. Sim, eu pensava nisso também, e é por isso que eu tinha que visitar uma iTown e fazer um test drive num Macbook para ver o diferencial.
Na minha última ida ao shopping entrei logo na iTown recém inaugurada. É essa que está na foto. Ao entrar olhei para os lados. Havia gente navegando na Internet e vendedores ocupados e outros não. Como ninguém veio até mim pensei em mostrar mais interesse fuçando um Macbook. Achei o Macbook graficamente bonito e elegante no geral, mas nada além do que eu esperasse. Acessei a Internet, testei os menus, naveguei nas pastas, etc. Parecia estranhamente familiar, provavelmente porque certos detalhes existem em alguns temas para Linux. Não consegui, porém, maximizar janelas. Eu tinha lido sobre isso em algum lugar, que era preciso instalar um plugin para permitir maximizar janelas. Veja o problema e sua solução no vídeo:
Eu também não conseguia arrastar janelas. No Gnome do Linux, no touchpad, eu dou dois cliques na barra de título da janela, sendo que no segundo clique eu seguro e movo o dedo. No Mac, esse gesto de uma única mão, tão simples, não funcionava. Educadamente chamei um vendedor e pedi sua ajuda para maximizar a janela, ele tentou clicando na bolinha verde, mas sem sucesso. Claro! Como descobri depois o botão zoom não é para maximizar e sim para abrir a janela de forma a exibir todo seu conteúdo.
O vendedor disse que estava pesquisando isso. Achei estranho o vendedor da Apple não conhecer o seu produto. Ele chamou uma colega vendedora que sem dizer nada "maximizou" a janela esticando o seu tamanho (redimensionando) arrastando o cursor do mouse a partir do canto inferior direito, como se faz nos demais sistemas. Porém após isso ela simplesmente me deu as costas! Que horror! E minhas outras dúvidas? E quanto ao trabalho de me convencer a comprar um Macbook?
Eu não perdi a paciência. Chamei-a novamente e tentei explicar que queria arrastar janelas. Ela arrastou, mas nem vi o que ela tinha feito e já ia saindo de novo! Mas antes eu perguntei o que ela tinha feito e ela mostrou: segurando o canto inferior esquerdo do touchpad com um dedo e movendo o cursor do mouse com o dedo da outra mão. Beleza. Ela me deixou.
A essa altura eu tinha perdido um pouco do interesse no Mac porque o que eu tinha visto (bem pouco, eu sei) parecia não compensar o preço. Resolvi fuçar por minha conta, entrei no gerenciador de e-mail, vídeos, etc. Nada porém além do que eu faria no Linux. Claro que as vantagens do Mac existem, eu só não tive quem me ajudasse a descobrí-las.
Após uns 10 minutos a vendedora voltou perguntando se eu tinha gostado. Eu achei meio decepcionante e disse que estava tentando comparar com o Linux. Ela perguntou o que eu fazia, com o óbvio intuito de saber minha condição financeira. Ela me mostrou alguns gestos no touchpad bem legais. Depois mostrou a configuração do Macbook e o preço. Assim, secamente. Eu disse que se decidisse comprar faria uma poupança antes. Ela sorriu educadamente.
Eu me perguntei: "por que eu vou pagar tudo isso só para ter um sistema com efeitos legais, sendo que efeitos legais não faltam no Linux e de forma muito mais configurável?" Sim, eu sei que o Mac não só tem efeitos legais. Mas foi isso o que a vendedora mostrou. Nada mais. Eu queria ser convencido a comprar. Mas pelo jeito se eu perguntasse porque deveria comprar, a resposta também seria uma decepção. Seria algo como "não pega vírus, é bonito, tem efeitos, o software e o hardware foram feitos um para o outro e por isso não trava". Isso não seria suficiente para mim. E outra, talvez não trave como Windows, mas trava sim.
Saí de lá decepcionado com o atendimento, muito diferente do que tinha imaginado. Ninguém me mostrou porque valeria a pena pagar o preço do Macbook. Não me mostraram o diferencial. Gestos no touchpad e efeitos legais não compensam o preço. Fiquei com a sensação de que essa aura de perfeição em torno dos produtos da Apple era uma farsa, puro marketing. Quando fui a uma livraria depois e vi que lá também tinha produtos da Apple a venda, com depoimentos em vídeo das pessoas dizendo porque o Mac OS é tão maravilhoso, ainda meio indignado pensei: "Que balela! É bom, mas também não é isso tudo. Metade do sucesso da Apple (ou mais) é puro marketing!".
Sim, foi um pensamento injusto! Eu sei. Principalmente porque eu nunca tive um Macbook. Mas expressou minha frustração com o atendimento da loja. Quando cheguei em casa formatei meu notebook, tirei Debian e instalei Fedora 15 com Gnome 3, que pode não ter toda beleza do Mac, mas é muito produtivo, mais que o Mac (se bem que isso é opinião de cada um). É baseado em Unix também, não me preocupo com vírus, roda Windows e programas do Windows, compatível com todo meu hardware, impressora, Bluetooth, etc. Tudo sem ter que pagar um centavo. Além disso tenho a liberdade de configuração inigualável, podendo construir o sistema do zero só com o que eu quero, com várias opções de ambientes gráficos, posso adaptar o Linux para minhas necessidades e qualquer configuração, mesmo as mais modestas possíveis.
Sim, o Linux é mais trabalhoso que o Mac que já vem pronto bastando ligar na tomada. Pois exige do usuário algumas configurações, pesquisas, tirar dúvidas e aprender. Mas eu amo isso! Adoro aprender. Depois que aprendemos fica fácil.
Se você pretende comprar um Mac, espero que tenha mais sorte que eu.
Abraço.
As vezes percebo que alguns linux users tem muito apreço pelos Mac's devido ao fato de serem baseados em UNIX e ter um visual bonito. Porém, me perdoem os aficcionados pelo Mac, mas alguns "problemas" que afetam o linux como a falta de alguns softwares especificos como Auto CAD também afetam o sistema de Jobs. O Mac é muito forte na área multimidea e no visual, que é simples, porém agradavél e produtivo. Porém nada que um Gnome ou KDE bem configurados não possam resolver.
Quanto as travamentos, de um modo geral, ocorrem em raramente no Linux.