O Software e o homem
Um manifesto contra o mercado de trabalho em tecnologia no Brasil.
O software e o homem
Caros, escrevo este artigo por perceber que na informática existem grandes entraves, ao menos no âmbito nacional. Trabalho com telecomunicações a 5 anos e com informática a 2, e nesse período vejo que desde o início da minha carreira com tecnologia até hoje ainda sofremos do mesmo mal, o mal do tempo.
O problema é que vivemos em uma sociedade capitalista e selvagem, nada contra o sistema em si, que não preza pelo bem-estar do indivíduo. Sempre vejo nas empresas no qual eu passo uma louca corrida atrás de metas insanas, produtividade e pro-atividade regada a profissionais em uma busca incessante, quase insana, pelo aprendizado técnico.
E observando por outro paradigma, vejo também excelentes profissionais, obrigados a trabalhar 8 + 1 (almoço) horas diárias de suas vidas, estudar mais 4 ou 5 horas nas universidades e passar mais 2 horas (no melhor dos casos) no trânsito. Calculando isso temos 16 horas diárias em prol de nosso serviço, visto que estudar no ramo de tecnologia significa também trabalhar.
Mas e o ser humano, onde está nesse mundo tecnológico?! Como podemos cumprir essa rotina louca e ainda ter uma vida social sadia, digo sadia pois nem todos concordam que happy-hour e ir para a balada nas madrugadas é saudável. Como iremos ser cidadãos responsáveis, aptos a criar os nossos filhos, se vivemos 16 horas em função de nosso trabalho?! Tudo bem que em alguns casos existe a remuneração, mas a troco de que?! Em troco de pagarmos babas para suprir a necessidade do pai em casa ou até mesmo de divórcios.
Voltando aos cálculos, a comunidade científica diz que devemos ter de 6 a 8 horas por dia de sono,dependendo do stress e da vida social mais 15 minutos de exercícios físicos diários, que na soma de tomar banho, vestir-se e ir e voltar da academia sai no mínimo em uma hora, e um hobby.
Tudo bem, então como conseguimos tempo para isso e cuidar de nossa família?! Vivendo em função do tempo, mas em que gastamos este tempo?! Vivendo em função das agendas e nossa família ficando sempre em segundo ou terceiro plano, sem contar que para piorar ainda tem casos que a esposa trabalha para ajudar a manter as contas do lar. O resultado disso encontra-se no stress no trabalho, que deixa mais complicado manter uma vida profissional saudável.
Bem, lanço este artigo como um manifesto do homem contra o técnico. Se continuarmos a viver em função da tecnologia, estaremos fadados ao fracasso profissional, lembrem-se que Linus Torvalds saiu da Finlândia, um país com elevado IDH e não da China, um país de produção em massa. Como teremos uma nação de Linus ou de Einsteins se a nossa realidade nos toma as horas em que podemos ser humanos?! Vejo hoje o que sempre vi, talentos desperdiçados e levados a exaustão, técnicos que dariam excelentes cientistas da computação ou da área das telecomunicações vivendo com salários medíocres e cargas horárias excessivas. Existem milhares de talentos em nosso país vivendo às margens da exploração do mercado de trabalho.
Bem, escrevi este artigo para olharmos para dentro de nos mesmos e ver que um mundo mais justo não se faz apenas com o software livre, mas sim com pessoas sendo mais humanas. Não se muda o mundo mudando o software, mas sim mudando o homem.
Att,
Rodrigo.
O problema é que vivemos em uma sociedade capitalista e selvagem, nada contra o sistema em si, que não preza pelo bem-estar do indivíduo. Sempre vejo nas empresas no qual eu passo uma louca corrida atrás de metas insanas, produtividade e pro-atividade regada a profissionais em uma busca incessante, quase insana, pelo aprendizado técnico.
E observando por outro paradigma, vejo também excelentes profissionais, obrigados a trabalhar 8 + 1 (almoço) horas diárias de suas vidas, estudar mais 4 ou 5 horas nas universidades e passar mais 2 horas (no melhor dos casos) no trânsito. Calculando isso temos 16 horas diárias em prol de nosso serviço, visto que estudar no ramo de tecnologia significa também trabalhar.
Mas e o ser humano, onde está nesse mundo tecnológico?! Como podemos cumprir essa rotina louca e ainda ter uma vida social sadia, digo sadia pois nem todos concordam que happy-hour e ir para a balada nas madrugadas é saudável. Como iremos ser cidadãos responsáveis, aptos a criar os nossos filhos, se vivemos 16 horas em função de nosso trabalho?! Tudo bem que em alguns casos existe a remuneração, mas a troco de que?! Em troco de pagarmos babas para suprir a necessidade do pai em casa ou até mesmo de divórcios.
Voltando aos cálculos, a comunidade científica diz que devemos ter de 6 a 8 horas por dia de sono,dependendo do stress e da vida social mais 15 minutos de exercícios físicos diários, que na soma de tomar banho, vestir-se e ir e voltar da academia sai no mínimo em uma hora, e um hobby.
Tudo bem, então como conseguimos tempo para isso e cuidar de nossa família?! Vivendo em função do tempo, mas em que gastamos este tempo?! Vivendo em função das agendas e nossa família ficando sempre em segundo ou terceiro plano, sem contar que para piorar ainda tem casos que a esposa trabalha para ajudar a manter as contas do lar. O resultado disso encontra-se no stress no trabalho, que deixa mais complicado manter uma vida profissional saudável.
Bem, lanço este artigo como um manifesto do homem contra o técnico. Se continuarmos a viver em função da tecnologia, estaremos fadados ao fracasso profissional, lembrem-se que Linus Torvalds saiu da Finlândia, um país com elevado IDH e não da China, um país de produção em massa. Como teremos uma nação de Linus ou de Einsteins se a nossa realidade nos toma as horas em que podemos ser humanos?! Vejo hoje o que sempre vi, talentos desperdiçados e levados a exaustão, técnicos que dariam excelentes cientistas da computação ou da área das telecomunicações vivendo com salários medíocres e cargas horárias excessivas. Existem milhares de talentos em nosso país vivendo às margens da exploração do mercado de trabalho.
Bem, escrevi este artigo para olharmos para dentro de nos mesmos e ver que um mundo mais justo não se faz apenas com o software livre, mas sim com pessoas sendo mais humanas. Não se muda o mundo mudando o software, mas sim mudando o homem.
Att,
Rodrigo.