Onde o GNU/Linux ganha de lavada do Windows
Continuação do artigo anterior, onde citei pontos fracos do GNU/Linux em relação ao Windows. Desta vez veremos alguns pontos fortes.
Parte 2: Pontos fortes do GNU/Linux - continuação
Quinto ponto forte: TODOS OS PROGRAMAS EM UM SÓ LUGAR
Para instalar alguma coisa no GNU/Linux, raramente é necessário visitar a página do software, como se faz com Windows, porque muito provavelmente os programas estarão todos disponíveis nos repositórios do Linux. Por exemplo, a distribuição Linux Mint tem a Central de Programas e lá o usuário pode buscar programas de seu interesse entre quase 60 mil programas, divididos por categoria.Essa facilidade é um ponto forte, porque poupa tempo, mantém tudo organizado e é um procedimento mais simples e rápido. Imagine para o Windows um programa que contém uma relação de todos os programas disponíveis para o sistema, divididos e organizados por categoria e com um buscador que usa palavras chaves. Quando o usuário precisasse de algo, bastaria abrir esse programa, clicar em um dos programa da relação e ele seria baixado e instalado... Não seria bom? Um sonho para usuários Windows! Realidade para usuários GNU/Linux.
Sexto ponto forte: NÃO PRECISA DESFRAGMENTAR, TRAVA MENOS
Fazer manutenção corriqueira do sistema no Windows envolve, entre outras coisas, desfragmentar o sistema em períodos mais ou menos regulares. Se isso não for feito, o sistema começará a apresentar problemas de desempenho.O problema do Windows é que seu método de armazenar dados no disco rígido na verdade desorganiza tudo. Quando o sistema precisa dos dados, irá acessá-los de vários lugares diferentes e isso toma tempo. Então o usuário desfragmenta o sistema, que significa organizar tudo para o sistema encontrar mais rapidamente os dados necessários. Mas com o uso, ele se auto desorganiza novamente! No GNU/Linux os arquivos são automaticamente organizados conforme o uso e dessa forma não fica lento com o passar do tempo como o Windows.
Outra verdade é que o Linux, embora trave (como qualquer sistema), apresenta uma estabilidade maior que o Windows. Tanto que muitos servidores Linux funcionam por vários anos sem serem desligados. Isso depende muito da distribuição também. Por exemplo, as distribuições mais modernas, como Fedora e Arch Linux, que tem os programas mais novos e menos testados, podem apresentar mais problemas. Mas as distribuições mais conservadoras são muito estáveis como Slackware e Debian.
Sétimo ponto forte: COMUNIDADE
Existem fóruns e páginas onde há usuários dedicados a ajudar usuários Windows, mas eu ainda não vi nenhuma página com usuários mais engajados e determinados a ajudar os outros que os das páginas de ajuda voltadas para usuários GNU/Linux. O senso de união dos usuários GNU/Linux é muito forte, tanto que muitos voluntariamente cedem seu precioso tempo e dão contribuições dignas de profissionais de suporte, mas gratuitamente.O VOL está cheio de pessoas assim. Para destacar apenas algumas que me veio a mente: edps, pinduvoz, cabelo, juliaojunior, vinipsmaker, albfneto, rai3mb, izaias, iz@bel, annakamilla, gedimar, pink, stilldre, e é claro o nosso querido amigo removido! =P
Obs.: Peço desculpa a qualquer outro usuário se eu não citei o seu nome, com certeza não citei TODOS os que contribuem mais e da melhor qualidade, deixei MUITOS outros de fora! Apenas lembrei desses primeiro.
Quando falei em contribuição, não estava me referindo especificamente a quantidade de artigos e dicas, mas principalmente ao espírito dedicado e abnegado, evidenciado muitas vezes em respostas nos fóruns ou até mesmo por contribuições feitas nos bastidores do VOL.
Sendo assim, creio estar bem embasado quando digo que os usuários GNU/Linux formam uma espécie de família onde é relativamente fácil encontrar suporte para superar as dificuldades. Isso quer dizer que todo mundo que usa GNU/Linux tem esse espírito? Com certeza não. Mas esse senso de comunidade é um ponto fortíssimo ao meu ver.
Oitavo ponto forte: LINUX COMO FERRAMENTA
Há distribuições GNU/Linux específicas para determinados fins, que funcionam sem serem instaladas (seja por um CD-ROM ou por um pendrive) que muitas vezes salvam a vida dos usuários Windows, quando o sistema apresenta algum problema. Muitas distribuições são carregadas com várias ferramentas e são um verdadeiro canivete suíço para hackers ou para estudantes e profissionais que fazem testes de penetração. Algumas são para uso 100% anônimo, outras voltadas para recuperação de dados etc. Dessa forma o GNU/Linux atende necessidades específicas com uma flexibilidade bem maior que Windows.Conclusão
São estes pontos, todos os pontos fortes do GNU/Linux? Com certeza não! Ficaria grato se usuários mais experientes contribuíssem com mais informações nos comentários.Lembrando que sou apenas um usuário doméstico de GNU/Linux, sendo assim, quase certamente deixei de fora pontos que usuários mais experientes conhecem, como:
- a questão das diferenças entre os kerneis híbridos e monolíticos
- paradigma de tratar tudo como arquivos
- forte aderência ao modelo Unix de permissões, e outros.
Windows é o sistema mais usado atualmente nos computadores pessoais, por isso a comparação com o Linux é feita automaticamente por qualquer usuário que sempre usou Windows, mas resolve experimentar o sistema do pinguim pela primeira vez. O GNU/Linux sempre foi mais robusto que o Windows, porém mais voltado para servidores. Aos poucos, porém, ele esta crescendo e se desenvolvendo para ser usado pelo usuário comum, não apenas pelo nerd ou pelo especialista.
Por ser um sistema livre e relativamente recente no meio doméstico, ele enfrenta algumas dificuldades que podem desagradar usuários comuns, embora esteja bem consolidado no meio profissional. Cada vez que um usuário comum adota o Linux e se esforça em contornar os problemas, toda comunidade de usuários Linux sai ganhando com os resultados.
Embora seja diferente do Windows, o Linux tem personalidade única, por assim dizer, e seus fiéis adeptos, que preferem liberdade ao invés de piratear ou pagar caro, e preferem se ajudar mutuamente ao invés de dependerem do suporte dos "donos" do sistema.