Muito bem, vamos ao que interessa. O colega sustenta a tese de que estamos rumando para o anarquismo, a medida que barreiras sao derrubadas e aumentam as liberdades do individuo.
A ideologia anarquista prega a destruicao do Estado, e de toda a forma de poder, pois seria esta a fonte da maioria das desgracas humanas. Portanto as posicoes anarquistas sao essencialemente revolucionarias.
Outra corrente politica defende que as condicoes de vida dos trabalhadores e demais oprimidos vai melhorando pouco a pouco, e que ao fim e ao cabo nao teriamos mais estado, opressao ou exploracao (na verdade nao interessa se vai acabar o Estado e sua trupe, o que interessa eh a crenca de que a vida sempre melhora um pouco e que a revolucao eh impossivel - e efetivamente desnecessaria). Essa corrente eh a dos reformistas. Achei muito curiosa a semelhanca das posicoes politicas de um auto denominado "anarquista" com as opinioes de toda a sorte de social-democratas e reformistas...
Pois bem, gostem os anarquistas ou nao, a sociedade eh dividida em classes sociais. Classes proprietarias e classes que so contam com a venda da forca de trabalho pra sobreviver. Os interesses da classe dominante sao inconciliaveis com os interesses dos dominados. E o Estado eh um produto desta relacao.
Aos capitalistas interessa que uma parcela da populacao saudavel esteja desempregada, pra que os salarios nao subam. Interessa uma ideologia individualista de ascensao social, para preencher o exercito de reserva nas funcoes mais especializada. Interessa ao patrao que cada inovacao tecnologica nao seja convertido em melhoria das condicoes de vida e sim no desemprego e nos aparatos belicos.
Sendo o Estado o produto da dominacao de uma classe sobre outra, ele proprio possui um carater de classe. E nao pode ser simplesmente eliminado, pois as classes sociais antagonicas nao se eliminam por decreto.
Presumindo que o que se defende eh o anarquismo, uma posicao revolucionaria, eh evidente que eh necessario construir um estado com um carater de classe dos oprimidos. Para militarmente sustentar a revolucao, caso contrarios os mariners virao aqui e voltarao tudo como era antes. Este estado teria a tendencia a desaparecer a medida que revolucoes similares acontecerem em outros lugares, e tendera a tornar-se uma ditadura burocratica se ficar isolado.
A possibilidade de revolucoes vitoriosas eh enorme, se considerarmos a enorme quantidade de convulsoes sociais que ocorreram na ultima decada. Governos foram derrubados e pela primeira vez ocorreram revolucoes contra Estados democraticos de direito (evidenciando o carater ditatorial desses regimes, onde manda quem tem dinheiro pra pagar as campanhas e controlar a midia).
Agora se presumimos que o colega eh um social democrata, daqueles que acredita que as coisas nunca ficam piores, basta lembra a agenda das lutas trabalhistas a um seculo. Antes lutava-se pela jornada de 8 horas, pela previdencia, pela estabilidade. Hj as lutas sao defensivas. Luta-se para se repor as perdas salariais, pra nao arrocharem ainda mais a previdencia, pra nao perder a estabilidade (vide a luta dos franceses no CPE). Mesmo quando existem avancos na legislacao, os trabalhadores sao empurrados para a informalidade. Imigrantes ilegais na Europa e EUA e mesmo no brasil estao reduzidos as mesmas condicoes de ausencia de direitos do inicio da revolucao industrial.
Citemos o exemplo brasileiro. A uns 15 a 20 anos a taxa de crescimento vegetativo era de uns 2%/ano. Essa eh, portanto, a taxa aproximada com que novos trabalhadores entram no mercado de trabalho. A produtividade media do trabalhador brasileiro cresce 3.6%/ano. Entao pra que o desemprego nao cresca, os salarios nao caiam, a nossa economia deveria crescer uns 5,6%/ano e nao a merreca de 2 e poucos %.
E se a economia crescer, nao siginifica que vai ter distribuicao de renda ou coisa do genero. O exemplo tipico eh a china, que cresce absurdamente. Mas a maior parte das exportacoes chinesas vao para os EUA, e sao exportadas por empresas americanas que aproveitam um dos piores salarios do mundo. E quem quiser competir que trate os seus trabalhadoes como a China trata os seus.
Entao nao adianta ficar parado, se qualificar, etc. isso smente nao basta. Eh preciso uma transformacao radical da sociedade, que vai enfrentar interesses fortissimos e vai ter que usar da violencia que os reformistas tanto repudiam. Caso isso nao seja feito, as relacoes sociais tornar-se ao cada vez mais barbaras. Bolsoes de barbarie ja estao presentes nas grandes metropoles e em grandes extensoes do terceiro mundo.
Nao basta tornar os codigos fontes propriedade da humanidade, se a maioria dos seres humanos jamais tocara num computador. Assim acreditamos que ninguem possui o direito de requerer para si o monopolio sobre os fontes, pois o codigo eh uma producao social, de todos os que nos antecederam; acreditamos que as fabricas, as terras, os meios de transporte e tudo mais que de alguma forma possa ser util eh propriedade de toda humanidade.
Para defender o SL contra os grandes monopolios de maneira coerente eh necessario colocar o SL ao lado das lutas por terra, trabalho, saude, educacao e pela ditadura dos trabalhadores sobre a burguesia.
viva o Software Livre e viva o Socialismo!
Quanto à idéia de um mundo sem governantes, seria impossível, tudo só funciona num mundo organizado em hierarquias, prova disso que pra quem conhece uma empresa e uma cooperativa, na maioria dos casos sai dizendo que a empresa é melhor organizada, há maior produtividade, estás coisas. É mais ou menos assim, nós precisamos de um patrão. E é ai que entra a democracia, temos o direito de escolher nossos governantes (os patrões).
Quanto ao linux, ele seguirá crescendo com o apoio da comunidade, o que o torna diferente de qualquer método de negócio já existente, afinal, há milhares de pessoas trabalhando de graça. Mas não quer dizer que não tenha ninguém tomando conta, há quem dirige o projeto debian, ou o projeto samba ou o xgl e por ai vai.
Bom, é só minha opinião, espero não estar criando flames.
Abraços,
Eduardo Henrique
(dupotter)