Teixeira escreveu:
Há nisso tudo um pequeno detalhe, e que se torna o pulo do gato:
Quando se pensa em usar "Linux + máquinas modestas + pouca memória" também se pensa em "fazer alguma cosa de útil", não é mesmo?
Não basta o Linux "rodar", tem de ser "produtivo".
Para rodar, você pode experimentar (leia-se "brincar") com o Basic Linux, BlueFlops, Samel Linux e outros baseados em Slackware, que começam a rodar já com ambiente gráfico (modesto) a partir de apenas 16MB RAM com 1MB de video.
Funciona muito bem, é muito rápido, e até interessante como pesquisa acadêmica, mas não faz - atualmente - nada de útil.
Ou seja, não acompanha as exigências da evolução tecnológica.
Mas para produzir alguma coisa, deve-se considerar nada menos que 512MB RAM (1GB recomendado) e uma boa aceleradora de video (o video não deverá "roubar" da memória principal).
Aí você poderá ficar tranquilo durante muito tempo ainda.
Em algum futuro, mesmo 1GB será insuficiente para atender às novas e sucessivas exigências do mercado.
Máquinas com tecnologia mais ou menos atual, porém com pouca memória, podem servir como terminais LTSP. Procure se informar a respeito.
Eu concordo em parte com o que você diz. Realmente, não vamos querer que um computador modesto desses rode um Call of Duty da vida. Mas se o amigo tem a idéia de ressuscitar esses PC's, na minha opinião um fato digno de nota e louvor por si só, e considerando que ele trabalha com manutenção de micros, eu tenho a certeza de que ele não espera milagres. Acredito que ele quer um ambiente seguro para aprender o GNU / Linux, e com essas máquinas ele vai aprender não apenas a instalar uma
Debian-like user-friendly ultra-automatizada, como o Ubuntu, mas ele vai aprender a operar um sistema GNU / Linux direto "na fonte": terminal, edição de arquivos de configuração, etc. Com um pouco de trabalho (o que vai ser de grande valia pra ele), ele vai transformar esses computadores em máquinas de escrever aprimoradas que enviam e-mails, e talvez até mais. Lembre-se do quanto nos divertíamos com essas máquinas no tempo delas!
Produzir, por sua vez, é um conceito relativo demais. Se ele quiser um computador pra fuçar e aprender as entranhas do GNU / Linux, esse tipo de exercício é ótimo, portanto produtivo. Se ele quer máquinas de escrever aprimoradas capazes de enviar e-mails, ele vai conseguir isso, portanto o esforço vai ser produtivo. Se ele quiser um servidor capaz de rotear internet, servir de sandbox e firewall, até um 386 serve, e eu tenho um aqui em casa fazendo exatamente isso! Mas, se ele quiser rodar a última versão do GIMP com tudo que tem direito enquanto escuta música no Amarok e navega na internet com o Firefox, bem, aí ele vai ter um problema sério.
Eu não concordo com essa corrida tecnológica que a gente vê nos dias de hoje. Um computador que se adapte às suas necessidades é tudo que você precisa. Se você precisa apenas de uma máquina de escrever metida à besta, um Pentium 2 500MHz com 256MB de RAM e Slackware 13.37 é tudo que você precisa para ser produtivo. Agora se você quer um terminal para jogos (tipo o meu desktop), 8GB de RAM e 1,5GB de vídeo num Core i5 nunca vão ser o bastante.
É por isso que eu não gosto da filosofia dessas
Debian-likes mais recentes, como o Mint e o Ubuntu, e relutei muito pra colocar este último no meu notebook. A praticidade é algo muito bom, mas o efeito Windows (exigir computadores cada vez mais poderosos pra rodar o básico o mais
user-friendly possível) é um problema sério que acompanha esse tipo de distro. Elas acabam acostumando muito mal o usuário.
(Um grande parêntese aqui: ok, eu sou um fã do KISS e do UNIX-like, sou quase um Stallmanista em alguns aspectos, um dos meus passatempos favoritos é compilar kernel ou algum programa mais exótico, além de reclamar demais da praticidade que não pergunta como eu quero fazer a coisa, mas já sai fazendo, e eu sei que isso não é um comportamento que um sujeito mais normal apresentaria).
Enfim, Teixeira, desculpe pelo texto longo e tal, respeito muito sua opinião e concordo com relação a levantar o questionamento sobre produtividade, mas, com todo o respeito, esse tipo de projeto como o do logaritmo tem seu lugar ao sol. O projeto é produtivo por definição.