Falha de planejamento no uso de softwares livres nas escolas públicas
O Linux Educacional 3.0 (LE) é a distribuição GNU/Linux que o ProInfo do MEC criou para os Laboratórios Escolar de Informática (LEI) das escolas públicas. Esse sistema é apenas uma das grandes falhas dos governos brasileiros no mau uso do software livre. No entanto para entender como chegamos aqui é preciso conhecer o ponto de partida desses sucessivos erros na difusão da informática nas escolas.
Software Livre
O Linux Educacional 3.0 (LE), baseado no Kubuntu 8.04, núcleo do sistema Linux Ubuntu 2.6.24-22-generic e ambiente gráfico: KDE 3.5.10, é a distribuição GNU/Linux que o ProInfo (Programa Nacional de Informática na Educação - Secretaria de Educação a Distância) do MEC (Ministério da Educação) criou para os Laboratórios Escolar de Informática (LEI) das escolas públicas. Esse sistema é apenas uma das grandes falhas dos governos brasileiros (Federal, Estadual e Municipal) no mau uso do software livre. No entanto para entender como chegamos aqui é preciso conhecer o ponto de partida desses sucessivos erros na difusão da informática nas escolas.
Com o crescimento do Linux em livre ascensão os governos brasileiros resolveram entrar de vez na batalha da inclusão digital, essa por sua vez provocada pelo o que os livros de geografia chamam de Revolução Tecnológica. Indo com mais sede ao pode o Governo Federal (GF) lançou o "computador popular", que era mais barato por usar softwares livres (armadilha que eu caí). Nessa primeira grande tentativa de espalhar micros computadores nas casas brasileiras, em especial nas classes mais humildes, foi enfatizado que o software livre é totalmente grátis e de fácil uso.
Aos poucos os usuários do Linux, que em sua grande maioria eram recém usuários de informática, descobriram que o uso dessa plataforma não é a custo zero. Por ele funcionar de forma diferente de seu principal rival o Microsoft Windows® (MW), que é o alfabetizador da área de informática, muitos dos usuários tiveram que pesquisar sobre o Linux, isso numa época em que poucos usuários detinham um bom conhecimento do sistema e poucos canais sobre o sistema do gracioso Tux (pinguim símbolo do Linux).
Não conheço uma única alma viva que assim como eu decidiu pagar alguém para formatar o HD e instalar o MW. Quanto aqueles que resistiram (eu ainda resistir por 3 ou 4 meses) fizeram pesquisa na Internet (que pelo preço da assinatura da Internet geralmente iam a cyber, e lá vai dinheiro), outros recorriam a recursos impressos (comprar revistas, apostilas e livros, que não estão incluídos no custo zero da licença) e para aqueles mais amarrados o melhor caminho era os cursos de informática (que além de serem raros eram mais caros do que os para MW).
Isso tudo foi para pessoas físicas, e no caso das empresas o tal custo zero somou o prejuízo financeiro mais dor de cabeça de chefes e funcionários numa soma ou total de migração catastrófica. Depois de fazem a migração muitas empresas descobriram que seus funcionários não estavam preparados, que a mão-de-obra especializada ou pelo menos familiarizada com o Linux é mais cara, que as empresas de suporte em Linux são mais caras e que de graça na verdade é só a licença. Nessa situação das empresas a culpa não é apenas da propaganda enganosa do GF, mas também das empresas que ainda vêem tecnologia como custo e não como investimento, e por isso forçaram uma migração sem capacitarem seus funcionários, ou seja, racha a conta meio a meio.
Um bom exemplo foi, há alguns anos, a migração da Prefeitura Municipal de Fortaleza (como se nem toda prefeitura no Brasil não fosse municipal, em fim, essa é a nomenclatura e tenho que usar). Aconteceu da seguinte forma. Segundo funcionários da prefeitura, encerrou o expediente, todos foram para casa e no dia seguinte ao chegar a prefeitura e ligar os computadores lá estava o Linux estalado. Como os servidores da prefeitura foram apresentados ao Linux assim em alguns dias eles simplesmente se recusaram a trabalhar e a prefeitura deve que instalar o MW novamente, tudo isso numa mesma semana (só para lembrar repartições públicas brasileiras trabalham de segunda a sexta, por tanto essa palhaçada teve no máximo 5 dias).
No que diz respeito a facilidade... Isso ai é outra mentira, na verdade isso gerou um grande mal entendido que continua arranhando a imagem do Linux. Para melhor entender, o meu referencial nessa situação é o super usuário, o root. Outro dia fiz um teste, logada com essa conta usei o comando "rm -r aluno" e apaguei o diretório da conta de usuário "aluno" que não havia sido excluída. Sei que o ato foi sem sentido, apagar um diretório de uma conta de usuário ainda ativa, mas essa não é a questão, o que eu queria saber era o quanto o sistema seria flexível. Quanto ao Linux, porque "permitiu" isso? Muito simples, se você está usando o usuário root o Linux "entende" que você tem conhecimento o suficiente para saber o que de fato está fazendo e assume todos os riscos. O que tudo isso quer dizer? É muito simples, se você dedicar um pouco do seu tempo para estudar o Linux em retribuição ele lhe oferecerá todo o seu potencial.
Agora chego a parte que mais me deixa indignada, incomodada e até frustrada, o LE nas escolas públicas estaduais e municipais do Ceará (que fique bem claro que amo o meu estado).
O Governo do Estado do Ceará criou o Projeto Alvorada, que tem como objetivo a inclusão digital dos alunos das escolas estaduais, no entanto o laboratório mais parece uma biblioteca, pois segundo ordens do projeto e repassadas pelas CREDE(S) (Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação), esses laboratórios são para fins exclusivamente pedagógicos e que informática é expressamente proibido, em último caso pode ser que a prática de informática pegue carona nas atividades pedagógicas.
A coisa funciona da seguinte forma: a maioria dos alunos não têm computador em casa, por tanto o LEI é um dos poucos meios de acesso, fora isso outra grande parcela dos alunos não têm algum ou pouquíssimo conhecimento em informática. Dentro deste quadro os alunos não sabem usar a ferramenta (o computador) e ficam presos a lerem textos na Internet, slides ou arquivos de textos e até assistir vídeos com os professores. E quando fazem alguma coisa diferente de ler, é escrever, e sem qualquer conhecimento de formatação de texto. Por tanto acaba aí o conhecimento que os alunos têm em informática.
No edital para contratação dos professores do LEI é exigido que o candidato tenha nível superior em pedagogia ou letras e que tenha algum curso de informática com carga horária de no mínimo 100h/a. Caso o candidato não tenha nível superior em nenhum dos cursos exigidos, serve um diploma de "qualquer" outro curso. Ou seja, são contratados para esses laboratórios pessoas que não são capacitadas e nem são preparadas pelo contratante para coordenar as atividades nos laboratórios e ainda têm a audácia de contratar qualquer um para o cargo, com exceção dos profissionais de informática que são considerados inadequados para um LEI.
Como profissional de informática que agora trabalha na educação eu acredito que a inclusão digital só acontecerá com inovação. A inovação não vem de máquinas, vem de pessoas, por tanto não adianta construir belíssimos laboratórios e jogar computadores nos alunos porque eles não serão incluídos no mundo digital, o que vai fazer isso acontecer é a difusão do conhecimento, e conhecimento vem de pessoas.
Qualquer pessoa gozando de boas faculdades mentais sabe que o certo é: Selecionar profissionais da área de informática para coordenar os LEI(S) ou profissionais de outras áreas de tenham qualificação adequada para a função; Capacitar e qualificar os selecionados na área técnica de informática, informática educativa e pedagógica para que tenham capacidade de gerenciar os laboratórios e de orientar da melhor forma os alunos e professores; Elaborar um projeto de capacitação e qualificação para os alunos para que os mesmos não apenas utilizem melhor as ferramentas de informática para os estudos, mas também visando a disputa no mercado de trabalho, uma vez que nem todos têm condições financeiras para isso.
Agora você deve estar querendo saber porque eu disse no começo deste artigo que o Linux Educacional é apenas uma das grandes falhas dos governos brasileiros no mau uso do software livre. Simples, o MEC mexeu tanto nesse sistema que ele é o único Linux que conheço, tive a oportunidade de usar, que trava. Se o Kurumin está aí e funciona tão bem, seria melhor ter investido nesse projeto do que tentar reinventar a roda.
Com o crescimento do Linux em livre ascensão os governos brasileiros resolveram entrar de vez na batalha da inclusão digital, essa por sua vez provocada pelo o que os livros de geografia chamam de Revolução Tecnológica. Indo com mais sede ao pode o Governo Federal (GF) lançou o "computador popular", que era mais barato por usar softwares livres (armadilha que eu caí). Nessa primeira grande tentativa de espalhar micros computadores nas casas brasileiras, em especial nas classes mais humildes, foi enfatizado que o software livre é totalmente grátis e de fácil uso.
Aos poucos os usuários do Linux, que em sua grande maioria eram recém usuários de informática, descobriram que o uso dessa plataforma não é a custo zero. Por ele funcionar de forma diferente de seu principal rival o Microsoft Windows® (MW), que é o alfabetizador da área de informática, muitos dos usuários tiveram que pesquisar sobre o Linux, isso numa época em que poucos usuários detinham um bom conhecimento do sistema e poucos canais sobre o sistema do gracioso Tux (pinguim símbolo do Linux).
Não conheço uma única alma viva que assim como eu decidiu pagar alguém para formatar o HD e instalar o MW. Quanto aqueles que resistiram (eu ainda resistir por 3 ou 4 meses) fizeram pesquisa na Internet (que pelo preço da assinatura da Internet geralmente iam a cyber, e lá vai dinheiro), outros recorriam a recursos impressos (comprar revistas, apostilas e livros, que não estão incluídos no custo zero da licença) e para aqueles mais amarrados o melhor caminho era os cursos de informática (que além de serem raros eram mais caros do que os para MW).
Isso tudo foi para pessoas físicas, e no caso das empresas o tal custo zero somou o prejuízo financeiro mais dor de cabeça de chefes e funcionários numa soma ou total de migração catastrófica. Depois de fazem a migração muitas empresas descobriram que seus funcionários não estavam preparados, que a mão-de-obra especializada ou pelo menos familiarizada com o Linux é mais cara, que as empresas de suporte em Linux são mais caras e que de graça na verdade é só a licença. Nessa situação das empresas a culpa não é apenas da propaganda enganosa do GF, mas também das empresas que ainda vêem tecnologia como custo e não como investimento, e por isso forçaram uma migração sem capacitarem seus funcionários, ou seja, racha a conta meio a meio.
Um bom exemplo foi, há alguns anos, a migração da Prefeitura Municipal de Fortaleza (como se nem toda prefeitura no Brasil não fosse municipal, em fim, essa é a nomenclatura e tenho que usar). Aconteceu da seguinte forma. Segundo funcionários da prefeitura, encerrou o expediente, todos foram para casa e no dia seguinte ao chegar a prefeitura e ligar os computadores lá estava o Linux estalado. Como os servidores da prefeitura foram apresentados ao Linux assim em alguns dias eles simplesmente se recusaram a trabalhar e a prefeitura deve que instalar o MW novamente, tudo isso numa mesma semana (só para lembrar repartições públicas brasileiras trabalham de segunda a sexta, por tanto essa palhaçada teve no máximo 5 dias).
No que diz respeito a facilidade... Isso ai é outra mentira, na verdade isso gerou um grande mal entendido que continua arranhando a imagem do Linux. Para melhor entender, o meu referencial nessa situação é o super usuário, o root. Outro dia fiz um teste, logada com essa conta usei o comando "rm -r aluno" e apaguei o diretório da conta de usuário "aluno" que não havia sido excluída. Sei que o ato foi sem sentido, apagar um diretório de uma conta de usuário ainda ativa, mas essa não é a questão, o que eu queria saber era o quanto o sistema seria flexível. Quanto ao Linux, porque "permitiu" isso? Muito simples, se você está usando o usuário root o Linux "entende" que você tem conhecimento o suficiente para saber o que de fato está fazendo e assume todos os riscos. O que tudo isso quer dizer? É muito simples, se você dedicar um pouco do seu tempo para estudar o Linux em retribuição ele lhe oferecerá todo o seu potencial.
Agora chego a parte que mais me deixa indignada, incomodada e até frustrada, o LE nas escolas públicas estaduais e municipais do Ceará (que fique bem claro que amo o meu estado).
O Governo do Estado do Ceará criou o Projeto Alvorada, que tem como objetivo a inclusão digital dos alunos das escolas estaduais, no entanto o laboratório mais parece uma biblioteca, pois segundo ordens do projeto e repassadas pelas CREDE(S) (Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação), esses laboratórios são para fins exclusivamente pedagógicos e que informática é expressamente proibido, em último caso pode ser que a prática de informática pegue carona nas atividades pedagógicas.
A coisa funciona da seguinte forma: a maioria dos alunos não têm computador em casa, por tanto o LEI é um dos poucos meios de acesso, fora isso outra grande parcela dos alunos não têm algum ou pouquíssimo conhecimento em informática. Dentro deste quadro os alunos não sabem usar a ferramenta (o computador) e ficam presos a lerem textos na Internet, slides ou arquivos de textos e até assistir vídeos com os professores. E quando fazem alguma coisa diferente de ler, é escrever, e sem qualquer conhecimento de formatação de texto. Por tanto acaba aí o conhecimento que os alunos têm em informática.
No edital para contratação dos professores do LEI é exigido que o candidato tenha nível superior em pedagogia ou letras e que tenha algum curso de informática com carga horária de no mínimo 100h/a. Caso o candidato não tenha nível superior em nenhum dos cursos exigidos, serve um diploma de "qualquer" outro curso. Ou seja, são contratados para esses laboratórios pessoas que não são capacitadas e nem são preparadas pelo contratante para coordenar as atividades nos laboratórios e ainda têm a audácia de contratar qualquer um para o cargo, com exceção dos profissionais de informática que são considerados inadequados para um LEI.
Como profissional de informática que agora trabalha na educação eu acredito que a inclusão digital só acontecerá com inovação. A inovação não vem de máquinas, vem de pessoas, por tanto não adianta construir belíssimos laboratórios e jogar computadores nos alunos porque eles não serão incluídos no mundo digital, o que vai fazer isso acontecer é a difusão do conhecimento, e conhecimento vem de pessoas.
Qualquer pessoa gozando de boas faculdades mentais sabe que o certo é: Selecionar profissionais da área de informática para coordenar os LEI(S) ou profissionais de outras áreas de tenham qualificação adequada para a função; Capacitar e qualificar os selecionados na área técnica de informática, informática educativa e pedagógica para que tenham capacidade de gerenciar os laboratórios e de orientar da melhor forma os alunos e professores; Elaborar um projeto de capacitação e qualificação para os alunos para que os mesmos não apenas utilizem melhor as ferramentas de informática para os estudos, mas também visando a disputa no mercado de trabalho, uma vez que nem todos têm condições financeiras para isso.
Agora você deve estar querendo saber porque eu disse no começo deste artigo que o Linux Educacional é apenas uma das grandes falhas dos governos brasileiros no mau uso do software livre. Simples, o MEC mexeu tanto nesse sistema que ele é o único Linux que conheço, tive a oportunidade de usar, que trava. Se o Kurumin está aí e funciona tão bem, seria melhor ter investido nesse projeto do que tentar reinventar a roda.
Eu vivi isso na pele. Ano passado eu trabalhei em uma escola (aqui em SC) onde os computadores estavam com esse Linux Educacional. Mas eu resolvi o problema de maneira simples: Instalei o Ubuntu. Mas existem muitos diretores de escola, que por medo, preferem manter o L.E. nos computadores, e essa bagaça não funciona. Capacitação que é bom: nada!!!
Nessa escola que eu trabalhei, éramos dois professores responsáveis pelo laboratório de informática: Eu, estudante de pedagogia, e outro professor, estudante de Sistemas de Informação. Assim, nós conseguimos unir os dois conhecimentos necessários para realizar um trabalho satisfatório: o Pedagógico e o Tecnológico. Não adianta ter só um Pedagogo que não sabe nem instalar um programa, e também não adianta ter um nerd que não sabe nem como tratar um aluno, que tem conhecimento mas não sabe passá-lo aos outros, sem poder contribuir com o desenvolvimento da criança.
Por isso, eu acho que o governo precisa investir na formação de um novo profissional. Um profissional que tenha o conhecimento das duas áreas, o pedagógico e o tecnológico, mesmo que seja necessário criar uma nova licenciatura universitária para isso.
Além disso, eu morro de vergonha (alheia), quando vejo essas autoridades incompetentes tentando aplicar o Software Livre, à força, nas instituições, sem fornecer um mínimo de preparação e capacitação do recurso humano que vai utilizar essa ferramenta.
Esse é o nosso Brasilzão. Os inteligentes, vivem contando os centavinhos pra pagar as contas no fim do mês, e os burros incompetentes, vivem tranquilos da vida, fazendo suas cagadas de acordo com suas vontades. Quem perde com isso tudo, é o povo e nossas crianças.