Linux e as divulgações
O presente artigo traz uma discussão a respeito de como são feitas as divulgações do Linux.
Introdução
Certo dia eu resolvi fazer uma divulgação de Linux dentro da minha Universidade (UNIFESP - Guarulhos) e então entrei em contato com o pessoal da UNIFESP - São José dos Campos, já que lá o campus é voltado para programação e consultei outras fontes para saber como que as pessoas geralmente faziam as divulgações sobre Linux.
Antes de pesquisar isso ou perguntar a qualquer um, eu tinha em mente fazer uma descrição técnica do Linux, demonstrar que as pessoas podem usar Linux sem medo e que o Linux é uma ótima ferramenta em muitas coisas quando em comparação ao Windows. Pretendia demonstrar que o Linux é um sistema melhor que o Windows, me utilizando de gráficos comparativos de processos feitos em um e no outro. Fazer demonstrações de ferramentas etc. E então quanto eu fui perguntar aos demais sobre como fazer uma apresentação de Linux, vi presente uma forte opinião, forte demais para o "bom senso", sobre "Liberdade".
Li certo dia na Linux Magazine uma entrevista com Richard Stallman sobre o programa "PC para todos", desenvolvido aqui no Brasil, e o entrevistador questionava a Stallman, o que ele pensava sobre o fato de na maioria dos computadores vendidos por este programa do governo, que vinham com Linux, os usuários terem instalado Windows depois da compra dos computadores. Respondeu Stallman que os computadores deveriam ser feitos de um modo que não aceitassem Windows. E então o entrevistador perguntou se restringir o Windows no computador não seria uma "agressão à liberdade", respondeu Stallman que este não era o caso, pois instalar Windows é que seria a verdadeira "agressão à liberdade".
- Ora, é claro que privar o usuário de usar o sistema mais usado no mundo é restringir sua liberdade, esse comentário de Stallman é um comentário radical. Eu reconheço todo o valor que Richard Stallman tem para o desenvolvimento do Software Livre, mas algumas de suas opiniões são, discutíveis...
Algumas das pessoas que questionei me disseram que eu deveria enfatizar a apresentação em dizer que o Linux é melhor justamente por ser livre, e não por quaisquer motivos técnicos que fossem. Pergunto eu, que vantagem tem um usuário normal (não programador), que só vai utilizar Orkut e MSN no computador (caso da maioria), ter um software completamente reprogramável?
- Nenhuma, muito pelo contrário, isso pode ser até um problema para um usuário normal. Por vezes as pessoas que divulgam o Linux parecem se esquecer que a maioria das pessoas não estão nem aí se o software que elas usam é ou não livre, tudo o que elas querem saber, na grande maioria dos casos, é se o dá para usar o Firefox e o MSN...
Mas então vamos discutir o que proponho, em divulgar o Linux como um sistema que, independente de ser livre ou não, é melhor do que o Windows:
- Como dito acima, a grande maioria dos usuários dão prioridade para a internet (Orkut e MSN), e neste caso passamos no primeiro teste, já que o Firefox "é nosso", entretanto no quesito "MSN" parecemos perder vantagem. Apesar do Kopete, Pidgin ou aMSN fazerem a mesma coisa que o MSN normal (em alguns casos até mais), convenhamos que o Kopete ou o aMSN são... feios... O MSN é um mensageiro "belo", por assim dizer, as pessoas estão acostumadas com as bordinhas coloridas nas fotos, com as cores claras e as letrinhas bonitinhas. Mesmo podendo mudar completamente a aparência do aMSN, nenhum dos seus temas é semelhante, em aparência, com o MSN da Microsoft, ele é meio "quadradão", por assim dizer. E no caso do Kopete então, aí sim que o quesito beleza perde consideráveis pontos. Claro que nenhum mensageiro do Linux perde no desenvolvimento, ou nas ferramentas que tem, mas bem que eles poderiam ser melhor "desenhadinhos".
Geralmente uso como argumento, a respeito dos mensageiros, o fato de o Kopete, por exemplo, mostrar os contatos que o excluíram da lista, mas isso apenas gera uma curiosidade inicial, não no Linux, mas em quem te excluiu da lista, mas não a uma "vontade de migração", por assim dizer.
Fora esse maior grupo de usuários, temos um outro, que está muito disposto, principalmente por razões financeiras, a usar Software Livre, mas simplesmente não conseguem fazer a mesma coisa com o Linux. De fato, por mais desenvolvido que seja o GIMP, ou os demais editores de imagem do Linux, eles não se igualam ao Photoshop, assim como nós (linuxers) não temos nenhuma ferramenta que se iguale ao Auto-Cad ou o Katia. Este grupo de usuários talvez possa seguramente usar o Linux mais no futuro.
Pois bem, vamos para a base da divulgação:
- Nós, que estamos acostumados entre as distribuições de Linux, que não comparamos mais Windows e Linux, mas Gentoo com Debian, nos esquecemos de muitas pequenas vantagens que o Linux possui sobre o Windows, como por exemplo os seguintes fatos:
Quando elaborei meu plano de divulgação, o fiz segundo dois grupos: um público jovem (não necessariamente jovem) e um grupo "um pouco mais profissional", por assim dizer.
Ao público jovem decidi fazer uma apresentação com um sistema carregado de efeitos 3D, com Gnome, e também apresentar jogos como o Assault Cube, Nexuiz, Heroes of Newerth; e mostrando que além dos jogos gratuitos, você ainda pode instalar outros jogos, do Windows, pelo Wine.
Para o segundo grupo, pensei em fazer uma apresentação um pouco mais séria, com KDE (sem querer dizer que não dê para fazer coisas sérias com Gnome), onde eu mostraria a praticidade do Dolphin, dos aplicativos do Plasma e a grande lista de ferramentas que o KDE possui.
Para ambos os grupos saliento que a intenção, pelo menos a princípio, não é a de uma migração total para o Linux, mas pelo menos conhecer o que é um Live-CD, e que mesmo que você não queria usar o Linux, é útil ter um Live-CD para poder recuperar os seus arquivos quando o Windows der pau. Além do mais, mesmo para aqueles que queriam logo de cara colocar Linux, sugiro sempre a fazer primeiro um dual-boot, pois ai, qualquer problema, o usuário poderá retornar ao sistema que lhe é familiar.
O que tentei apresentar aqui é que se quisermos fazer uma divulgação de Linux um pouco mais efetiva, temos de encará-lo como um sistema, e não como a "grande chave do portal da liberdade". Deixe que os filósofos discutam a "liberdade", se bem que até mesmo eles parecem já ter parado há muito tempo de discutir isso.
Os computadores não vão mudar o mundo, a única coisa que muda o mundo são: revoluções violentas ou o hábito das pessoas. Linux, ou sistema algum, vai deixar as pessoas "mais espertas" ou com "maior consciência cosmopolita", temos que encarar que ele é só um sistema, mas que dentro do grupo dos sistemas é o melhor desenvolvido.
Antes de pesquisar isso ou perguntar a qualquer um, eu tinha em mente fazer uma descrição técnica do Linux, demonstrar que as pessoas podem usar Linux sem medo e que o Linux é uma ótima ferramenta em muitas coisas quando em comparação ao Windows. Pretendia demonstrar que o Linux é um sistema melhor que o Windows, me utilizando de gráficos comparativos de processos feitos em um e no outro. Fazer demonstrações de ferramentas etc. E então quanto eu fui perguntar aos demais sobre como fazer uma apresentação de Linux, vi presente uma forte opinião, forte demais para o "bom senso", sobre "Liberdade".
Li certo dia na Linux Magazine uma entrevista com Richard Stallman sobre o programa "PC para todos", desenvolvido aqui no Brasil, e o entrevistador questionava a Stallman, o que ele pensava sobre o fato de na maioria dos computadores vendidos por este programa do governo, que vinham com Linux, os usuários terem instalado Windows depois da compra dos computadores. Respondeu Stallman que os computadores deveriam ser feitos de um modo que não aceitassem Windows. E então o entrevistador perguntou se restringir o Windows no computador não seria uma "agressão à liberdade", respondeu Stallman que este não era o caso, pois instalar Windows é que seria a verdadeira "agressão à liberdade".
- Ora, é claro que privar o usuário de usar o sistema mais usado no mundo é restringir sua liberdade, esse comentário de Stallman é um comentário radical. Eu reconheço todo o valor que Richard Stallman tem para o desenvolvimento do Software Livre, mas algumas de suas opiniões são, discutíveis...
Algumas das pessoas que questionei me disseram que eu deveria enfatizar a apresentação em dizer que o Linux é melhor justamente por ser livre, e não por quaisquer motivos técnicos que fossem. Pergunto eu, que vantagem tem um usuário normal (não programador), que só vai utilizar Orkut e MSN no computador (caso da maioria), ter um software completamente reprogramável?
- Nenhuma, muito pelo contrário, isso pode ser até um problema para um usuário normal. Por vezes as pessoas que divulgam o Linux parecem se esquecer que a maioria das pessoas não estão nem aí se o software que elas usam é ou não livre, tudo o que elas querem saber, na grande maioria dos casos, é se o dá para usar o Firefox e o MSN...
Mas então vamos discutir o que proponho, em divulgar o Linux como um sistema que, independente de ser livre ou não, é melhor do que o Windows:
- Como dito acima, a grande maioria dos usuários dão prioridade para a internet (Orkut e MSN), e neste caso passamos no primeiro teste, já que o Firefox "é nosso", entretanto no quesito "MSN" parecemos perder vantagem. Apesar do Kopete, Pidgin ou aMSN fazerem a mesma coisa que o MSN normal (em alguns casos até mais), convenhamos que o Kopete ou o aMSN são... feios... O MSN é um mensageiro "belo", por assim dizer, as pessoas estão acostumadas com as bordinhas coloridas nas fotos, com as cores claras e as letrinhas bonitinhas. Mesmo podendo mudar completamente a aparência do aMSN, nenhum dos seus temas é semelhante, em aparência, com o MSN da Microsoft, ele é meio "quadradão", por assim dizer. E no caso do Kopete então, aí sim que o quesito beleza perde consideráveis pontos. Claro que nenhum mensageiro do Linux perde no desenvolvimento, ou nas ferramentas que tem, mas bem que eles poderiam ser melhor "desenhadinhos".
Geralmente uso como argumento, a respeito dos mensageiros, o fato de o Kopete, por exemplo, mostrar os contatos que o excluíram da lista, mas isso apenas gera uma curiosidade inicial, não no Linux, mas em quem te excluiu da lista, mas não a uma "vontade de migração", por assim dizer.
Fora esse maior grupo de usuários, temos um outro, que está muito disposto, principalmente por razões financeiras, a usar Software Livre, mas simplesmente não conseguem fazer a mesma coisa com o Linux. De fato, por mais desenvolvido que seja o GIMP, ou os demais editores de imagem do Linux, eles não se igualam ao Photoshop, assim como nós (linuxers) não temos nenhuma ferramenta que se iguale ao Auto-Cad ou o Katia. Este grupo de usuários talvez possa seguramente usar o Linux mais no futuro.
Pois bem, vamos para a base da divulgação:
- Nós, que estamos acostumados entre as distribuições de Linux, que não comparamos mais Windows e Linux, mas Gentoo com Debian, nos esquecemos de muitas pequenas vantagens que o Linux possui sobre o Windows, como por exemplo os seguintes fatos:
- Quando nós comparamos Windows e Linux, com respeito ao espaço utilizado em disco, vemos que o Windows ocupa mais espaço do que o Linux, ok, mas nos esquecemos, por vezes, que o espaço de instalação do Windows é apenas o sistema, enquanto que no Linux, além do sistema, você tem todo o OpenOffice.org, GIMP, Mensageiros, Players, Codecs, jogos, programas educativos, compiladores, compactadores, e um conjunto imenso de ferramentas do KDE ou do Gnome. É uma ótima demonstração de que os arquivos do Linux ocupam bem menos espaço do que os arquivos do Windows no HD;
- O Windows exige a instalação de drivers após a instalação do sistema, o Linux não, ele instala sistema, drivers e aplicativos em cerca de 13 minutos;
- Navegação facilitada com o uso do Dolphin ou do Nautilus: atalhos como o F3, no Dolphin, que permite a navegação simultânea em duas pastas, ou a abertura de várias abas, manejo dos menus e organizadores (que ninguém precisa ser programador para fazer) etc. Fora o fato de na área de trabalho, no caso do KDE, da facilidade que promove o Plasma, transformando tudo em Widgets muito mais personalizáveis do que no Windows, a criação de painéis, dos itens dos painéis etc.;
- A completa configuração da aparência do sistema: enquanto no Windows você não pode alterar nem a imagem do botão "Iniciar", no Linux você pode mudar desde a tela do Grub boot-splash, até quais tipos de efeitos 3D suas janelas vão fazer ao serem fechadas. Sem contar o Splash-screen, o mouse, o esquema de cor do sistema, ícones, Lancelot e tantas outra coisas.
Quando elaborei meu plano de divulgação, o fiz segundo dois grupos: um público jovem (não necessariamente jovem) e um grupo "um pouco mais profissional", por assim dizer.
Ao público jovem decidi fazer uma apresentação com um sistema carregado de efeitos 3D, com Gnome, e também apresentar jogos como o Assault Cube, Nexuiz, Heroes of Newerth; e mostrando que além dos jogos gratuitos, você ainda pode instalar outros jogos, do Windows, pelo Wine.
Para o segundo grupo, pensei em fazer uma apresentação um pouco mais séria, com KDE (sem querer dizer que não dê para fazer coisas sérias com Gnome), onde eu mostraria a praticidade do Dolphin, dos aplicativos do Plasma e a grande lista de ferramentas que o KDE possui.
Para ambos os grupos saliento que a intenção, pelo menos a princípio, não é a de uma migração total para o Linux, mas pelo menos conhecer o que é um Live-CD, e que mesmo que você não queria usar o Linux, é útil ter um Live-CD para poder recuperar os seus arquivos quando o Windows der pau. Além do mais, mesmo para aqueles que queriam logo de cara colocar Linux, sugiro sempre a fazer primeiro um dual-boot, pois ai, qualquer problema, o usuário poderá retornar ao sistema que lhe é familiar.
O que tentei apresentar aqui é que se quisermos fazer uma divulgação de Linux um pouco mais efetiva, temos de encará-lo como um sistema, e não como a "grande chave do portal da liberdade". Deixe que os filósofos discutam a "liberdade", se bem que até mesmo eles parecem já ter parado há muito tempo de discutir isso.
Os computadores não vão mudar o mundo, a única coisa que muda o mundo são: revoluções violentas ou o hábito das pessoas. Linux, ou sistema algum, vai deixar as pessoas "mais espertas" ou com "maior consciência cosmopolita", temos que encarar que ele é só um sistema, mas que dentro do grupo dos sistemas é o melhor desenvolvido.
Ainda ontem me deparei com uma realidade triste: Em um lugar onde havia uma rede rodando em Linux (distro remasterizada e baseada em Ubuntu) deixaram a versão do kernel ficar velha demais (seis-ponto-alguma-coisa) e aí instalaram o Windows Seven Starter.
Apesar de ser o supra-sumo do produto ainda não indicado para uso corporativo, o Seven Starter foi instalado e assimilado com enorme facilidade por todos.
Parabéns, vitória para a equipe, afinal de contas.
Mas o que mais me intriga são os argumentos usados para trocar de sistema operacional e gastar possivelmente uma nota preta com software proprietário. Segundo eles "o Linux não deu certo" porque:
1- "Tinham de REFORMATAR toda hora e nada dava certo"
2- "NINGUÉM conseguia fazer uma planilha"
3- "Não tinha INTERNET"
Bem, eles adquiriram o Seven por R$ 199,00 e com mais R$ 1,00 para cada licença levaram "de brinde" um teclado e um mouse óptico Microsoft (produtos excelentes, e CAROS).
Aqui para nós, é uma oportunidade irrrecusável, não é não?
Mas os argumentos...