Software livre, capitalismo, socialismo e um possível caminho novo
Discussão do uso de Linux por iniciativa privada ou estatal que deram errado (computadores/eletrodomésticos baratos e inclusão digital por licitação) e os que parecem que vão dar certo (ChromeOS e Pardus Linux). Reflexão sobre sistemas econômicos (capitalismo/socialismo) e por fim (mais polêmico!), sugestão de um caminho novo para uma sociedade ideal.
Más experiências
A disseminação da informática é uma tendência geral, mas dessa tendência vamos separar duas frentes: do lado da iniciativa privada, significava que muita gente passaria a comprar computadores e laptops de tal modo que não só lojas de informática, mas as de eletrodomésticos e grandes papelarias passariam a explorar o mercado. E do lado público/estatal, significava que o computador passaria a ser uma ferramenta importante para gerenciar a burocracia e que surge a necessidade da inclusão digital a ser oferecida para que aqueles não têm recursos para comprar computadores e pagar um curso de informática.
Com o movimento do software livre crescendo, encabeçado principalmente pelo sistema operacional Linux, essa tendência geral se depara com a possibilidade de colocar um sistema livre e barato que nasceu da colaboração de milhares de pessoas que buscavam uma alternativa (principalmente) ao Windows da Microsoft.
Contudo, como observou a comunidade do software livre, o uso do Linux por fabricantes e governos não necessariamente resultou em experiências boas, ao contrário, algumas foram bastante traumáticas a ponto de estimular seus usuários a comprarem o Windows pirata.
Vejamos como foram essas experiências.
Aliás um adendo: ainda que efetivamente poucos tenham visto ou usado, um marco nessa história foi a campanha do One Laptop Per Children (um laptop para cada criança), que chamou a atenção para o mundo da necessidade da informática ser disseminada. Muitos políticos entenderam o recado, e vários fabricantes viram que vender laptops baratos era uma boa oportunidade de negócios. Se pensarmos bem, a disseminação de netbooks se deu mais ou menos a partir desse período. Recentemente o time da One Laptop Per Children (OLPC) até teve de reduzir seu quadro de pessoal, pois os negócios não avançaram muito, isso porque os governos e o mercado viram que podiam atender essa demanda sem aderirem ao projeto.
O avanço e a popularização do hardware fez com que computadores pudessem ser vendidos junto com eletrodomésticos e materiais de papelaria. Isso fez com que novos fabricantes se aventurassem no ramo e o principal diferencial que ofereciam era o baixo custo. E uma forma de baixar o custo era o uso do Linux no lugar do Windows.
Linux podia ser barato por ser livre, há toda uma filosofia por trás dessa liberdade e colaboração pelo aperfeiçoamento do sistema. Contudo, para os fabricantes só interessava a questão do custo, e venderam muitos PCs e laptops/netbooks que bastava estar funcionando na hora da compra pelo cliente, sem a preocupação adequada com hardwares mais adequados ao sistema, configuração, inclusão de um pacote amplo de programas etc. Como resultado, havia problemas de hardware, os clientes sentiam falta de programas e quando iam ao camelô comprar programas para Windows, não conseguiam instalar pois era outro sistema. Ao invés da grande massa passar a admirar Linux, uma parte passou a achar que computadores com Linux eram uma furada. Alguns fabricantes eram safados e vendiam hardwares ruins e botavam a culpa no Linux, e o descompromisso deles com o sistema chegava ao absurdo de oferecerem Windows para quem pagasse a mais.
E do lado estatal, também houve traumas. Desse lado, o governo fixava por edital tudo o que o novo sistema devia fazer, de forma que pelo menos o hardware e os programas deveriam funcionar minimamente de forma razoável. Contudo, o problema é que a escolha do sistema ocorria por licitação. Os times do Debian, Slackware, Ubuntu, Fedora etc oferecem bons sistemas e suporte, contudo, por se tratar de um time de colaboradores espalhados pelo mundo, não é propriamente o interesse deles participar dessas licitações governamentais. Há sim empresas nacionais consolidadas que teriam interesse em fornecer ao governo um atencioso serviço de implantação e suporte.
Mas, por se tratar de licitação, o governo não pode escolher a dedo um sistema, e na licitação acaba ganhando quem oferece todos os itens listados no edital pelo menor preço. Eis aí uma nova desgraça quando ganham empresas formadas às pressas por sócios interessados na licitação que também vêem o Linux apenas como redutor de custos. Se no edital se pede um sistema que tenha processador de texto e funcione com a impressora, eles oferecem um sistema que faz isso, mas não com o programa mais atual nem com as últimas melhorias em comunicação com hardware. Assim, o servidor trabalha no governo com o sistema funcionando precariamente, e ao voltar para casa, constata que no computador que ele comprou para si tudo funciona de forma mais moderna.
Ou então quem é atendido pela inclusão digital, lida com um sistema muito diferente do que o mercado de trabalho usa, e fica falho o objetivo da inclusão digital, que é de familiar as pessoas com a informática para terem mais chances. E como o governo é formado por pessoas, não é difícil que numa próxima licitação os políticos determinem por edital que um dos pontos a atender seja o Windows como sistema.
Assim, na iniciativa privada e no governo, as más experiências com Linux (que infelizmente chegaram a milhares de pessoas) têm o ponto em comum de verem no software livre apenas uma redução de custos.
Com o movimento do software livre crescendo, encabeçado principalmente pelo sistema operacional Linux, essa tendência geral se depara com a possibilidade de colocar um sistema livre e barato que nasceu da colaboração de milhares de pessoas que buscavam uma alternativa (principalmente) ao Windows da Microsoft.
Contudo, como observou a comunidade do software livre, o uso do Linux por fabricantes e governos não necessariamente resultou em experiências boas, ao contrário, algumas foram bastante traumáticas a ponto de estimular seus usuários a comprarem o Windows pirata.
Vejamos como foram essas experiências.
Aliás um adendo: ainda que efetivamente poucos tenham visto ou usado, um marco nessa história foi a campanha do One Laptop Per Children (um laptop para cada criança), que chamou a atenção para o mundo da necessidade da informática ser disseminada. Muitos políticos entenderam o recado, e vários fabricantes viram que vender laptops baratos era uma boa oportunidade de negócios. Se pensarmos bem, a disseminação de netbooks se deu mais ou menos a partir desse período. Recentemente o time da One Laptop Per Children (OLPC) até teve de reduzir seu quadro de pessoal, pois os negócios não avançaram muito, isso porque os governos e o mercado viram que podiam atender essa demanda sem aderirem ao projeto.
O avanço e a popularização do hardware fez com que computadores pudessem ser vendidos junto com eletrodomésticos e materiais de papelaria. Isso fez com que novos fabricantes se aventurassem no ramo e o principal diferencial que ofereciam era o baixo custo. E uma forma de baixar o custo era o uso do Linux no lugar do Windows.
Linux podia ser barato por ser livre, há toda uma filosofia por trás dessa liberdade e colaboração pelo aperfeiçoamento do sistema. Contudo, para os fabricantes só interessava a questão do custo, e venderam muitos PCs e laptops/netbooks que bastava estar funcionando na hora da compra pelo cliente, sem a preocupação adequada com hardwares mais adequados ao sistema, configuração, inclusão de um pacote amplo de programas etc. Como resultado, havia problemas de hardware, os clientes sentiam falta de programas e quando iam ao camelô comprar programas para Windows, não conseguiam instalar pois era outro sistema. Ao invés da grande massa passar a admirar Linux, uma parte passou a achar que computadores com Linux eram uma furada. Alguns fabricantes eram safados e vendiam hardwares ruins e botavam a culpa no Linux, e o descompromisso deles com o sistema chegava ao absurdo de oferecerem Windows para quem pagasse a mais.
E do lado estatal, também houve traumas. Desse lado, o governo fixava por edital tudo o que o novo sistema devia fazer, de forma que pelo menos o hardware e os programas deveriam funcionar minimamente de forma razoável. Contudo, o problema é que a escolha do sistema ocorria por licitação. Os times do Debian, Slackware, Ubuntu, Fedora etc oferecem bons sistemas e suporte, contudo, por se tratar de um time de colaboradores espalhados pelo mundo, não é propriamente o interesse deles participar dessas licitações governamentais. Há sim empresas nacionais consolidadas que teriam interesse em fornecer ao governo um atencioso serviço de implantação e suporte.
Mas, por se tratar de licitação, o governo não pode escolher a dedo um sistema, e na licitação acaba ganhando quem oferece todos os itens listados no edital pelo menor preço. Eis aí uma nova desgraça quando ganham empresas formadas às pressas por sócios interessados na licitação que também vêem o Linux apenas como redutor de custos. Se no edital se pede um sistema que tenha processador de texto e funcione com a impressora, eles oferecem um sistema que faz isso, mas não com o programa mais atual nem com as últimas melhorias em comunicação com hardware. Assim, o servidor trabalha no governo com o sistema funcionando precariamente, e ao voltar para casa, constata que no computador que ele comprou para si tudo funciona de forma mais moderna.
Ou então quem é atendido pela inclusão digital, lida com um sistema muito diferente do que o mercado de trabalho usa, e fica falho o objetivo da inclusão digital, que é de familiar as pessoas com a informática para terem mais chances. E como o governo é formado por pessoas, não é difícil que numa próxima licitação os políticos determinem por edital que um dos pontos a atender seja o Windows como sistema.
Assim, na iniciativa privada e no governo, as más experiências com Linux (que infelizmente chegaram a milhares de pessoas) têm o ponto em comum de verem no software livre apenas uma redução de custos.