
celsop
(usa openSUSE)
Enviado em 19/02/2025 - 19:35h
Um ano com o openSUSE!
Nem parece, mas faz um ano que decidi entrar de cabeça e assumir um SO Linux como principal no meu notebook, e, resolvi ousar: decidi não por conforto ou familiaridade mas busquei algo que reunisse o que eu considerava como características desejáveis. Porque da escolha?
Acho que o primeiro motivo foi querer sair da zona de conforto, afinal, caso optasse por algo que me fosse familiar, teria que escolher alguma coisa parecida com que já estava cansado ou inconformado em lidar e isso ia me trazer pouca coisa nova ou pouco desafio. Não me entendam mal, eu cheguei a experimentar o Zorin e o Linux Mint e foram excelentes, aliás o Mint está naquele micro velho que eu usei de cobaia há alguns anos e, até hoje funciona, e eu, até hoje, o uso sempre que preciso. Recomendo para todo mundo que queira “experimentar a libertação” do Open Sourse. É familiar, é prático, é confortável e é de graça! Para quem usa no dia-a-dia, não quer quebrar a cabeça em se aprofundar em detalhes técnicos, ou seja, o caso de um usuário doméstico, um estudante, ou alguém que precisa trabalhar com um sistema confortável e familiar para usar uma suíte office, navegar na internet, ou fazer tarefas mais básicas, que faria em um Windows (pronto! Falei o nome!), pode fazer quase tudo isso de graça. Quase…? É, quase. Tem algumas coisas que um sistema proprietário, por ampla dominância de mercado acaba por colocar algumas restrições que no fim não dá pra fugir, mas, acredite: são poucas e contornáveis. Por outro lado as vantagens são grandes: você não precisa atualizar na hora que eles querem! Outra, você pode arrumar suas pastas do jeito que quiser! Se você tiver coragem (e sangue frio), pode mexer no sistema (ebah!!). E por aí vai…
Mas estou escrevendo isso não para falar das distros que não escolhi, mas da que eu escolhi.
Testar é bom e necessário, mas antes de testar a gente precisa definir o que quer (ou acha que quer, né?). Pelo básico, comecei pensando que tinha que ter tudo que eu usava, que fosse relativamente fácil de mexer, tivesse uma interface bonita, agradável, não me desse dor de cabeça, atualizasse quando eu decidisse, e por aí vai. Considerei que uma comunidade, e consequentemente, uma distro razoavelmente espalhada, facilitaria a longevidade, e também considerei que se tivesse uma empresa por trás, provavelmente a distro seria mais longeva, apesar de isto não ser uma garantia (quem já optou por um Windows Phone como eu, sabe do que estou falando). Também nada contra as distros derivadas de outras, ou daquelas que um desenvolvedor ou uma comunidade luta apaixonadamente para se manter no páreo. Tem muita coisa boa por aí, distros de qualidade mesmo, mas que infelizmente ainda (e eu espero que só ainda), não ganharam o mundo. Como sou dado a experimentar as coisas, uma distro que tivesse algum tipo de proteção contra quebra era desejável, pois não queria ter que perder arquivos e ter que instalar tudo de novo. Também escutar a opinião dos outros era importante: ver reviews era importante, ver as opiniões dos testes comparativos também, ver as críticas e os problemas enfrentados, mais ainda.
Aí tinha as grandes escolhas da vida: caso ou compro uma bicicleta? Cinema ou um barzinho? VHS ou Betamax (é sim! Sou velho a este ponto!). Brincadeira. As escolhas eram: LTS ou Rolling-release? Gnome ou KDE (ou outra)? Enfim as vantagens do Linux é que tem muita, mas muita coisa para escolher, você só precisa achar o que é melhor para você.
No fim, bati o martelo com a openSUSE: tinha uma empresa por trás, era Rolling release, havia um jeito fácil de recuperar o sistema já na tela de boot (snapshot), tinha uma comunidade grande e um pé no mundo corporativo. Os benchmarks eram muito interessantes, e justamente por ouvir falar pouco dela, praticamente não ouvi falar de problemas de incompatibilidade de hardware ou de atualizações de sistema. Essa extrema discrição, quase uma invisibilidade, considerando que ela tem uma participação importante, principalmente na Europa, conquistou minha atenção.
Comprei um SSD novo, retirei o antigo com o Win10 do note, e instalei o sistema. Pra falar a verdade, não cheguei a testar antes, fui na fé. Na pior das hipóteses, escolhia outro SO. Optei pelo KDE Plasma, e deixei o Gnome para uma ocasião futura, afinal algum pé no mundo conhecido precisava ser mantido (se bem que ainda tenho curiosidade em ver como é usar um Gnome no dia-a-dia).
Bom… liguei, achei legal, bonito e tudo o mais. Mas, puxa-vida! No começo foi difícil! Eu tinha ouvido falar que a curva de aprendizagem era maior com o sistema, e realmente foi. Em parte por causa da interface, em parte por causa do sistema. Era tudo com “k” (konsole, kate, kcalc, etc), tudo com nome diferente! O KDE eu tinha ouvido falar que era personalizável, e não estavam brincando, mas é personalizável demais! Cada coisa que você mexe muda alguma coisa! E pra voltar então? Foi um pesadelo! Quase desisti, mas resolvi ficar e procurar as tais vantagens que me levaram até lá.
Neste primeiro mês (fev/24), as coisas ficaram meio “entre tapas e beijos”, mas fui tocando. Aí aconteceu uma coisa que eu não esperava quando eu decidi (lembra que eu falei que é a gente que escolhe o quando?), fazer uma atualização. A interface gráfica, atualizou do KDE 5.alguma coisa para o KDE 6! E toca ter que ter que aprender tudo de novo! Aqui eu quase, mas quase mesmo, reinstalei com um Gnome.
De novo fui tocando, aprendendo a mexer com a interface gráfica, escolhendo como deixar a barra de menus (se é este o nome certo), onde eu queria, se embaixo é melhor que em cima, se do lado é melhor, escolhendo o que eu queria por nela, escolhendo o padrão de ícones, escolhendo se os ícones ficavam melhor na esquerda ou no centro da barra, escolhendo o papel de parede, escolhendo o melhor modo de apresentar o menu iniciar, escolhendo o tema, escolhendo o padrão de cores… enfim escolhendo… e tinha muita coisa para escolher ... aliás tudo! Aqui uma observação: eu optei no “painel de aplicativos” pela apresentação “dashboard”, ficou legal demais! Em vez do menu tradicional, aparece um painel com toda a tela com ícones grandes, organizados por categoria ou ordem alfabética. No fim, eu consegui deixar do jeito que eu queria, sempre levando em conta meu gosto que “simples é melhor que complicado”.
Já que falei da lataria (interface), agora vamos falar do motor, ou seja o sistema propriamente dito. Não tive problemas com a instalação e atualizações. Achei que o sistema veio com aplicativos demais, alguns redundantes (eu vi pelo menos 3 terminais diferentes (Kterm, Konsole e Xterm, pra que tudo isso?), e tudo com K…, acho que o nome disto é “bloatware”, ou seja um punhado de softwares indesejados. Só depois que eu descobri que eu poderia ter escolhido não instalar nada disto na instalação… e também descobri que dá pra remover tudo que eu não quero… e que dá pra fazer isto com uma interface gráfica chamada YAST!
Ah: o sistema tem uma lojinha de programas, chamada Discover, que também dá pra atualizar o sistema sem usar o terminal. Num curso que estou fazendo, estão ensinando a usar o Python. Com a ajuda das IAs de plantão, e algumas cabeçadas de minha parte, consegui instalar uma IDE e outra versão do Python junto com algumas bibliotecas. Não danifiquei o sistema e tá funcionando. Coloquei programas novos, como o VS Code e estou experimentando, e, de novo, está funcionando, e ainda, estou me aventurando pelo terminal e ainda, está funcionando. Muita coisa que eu estaria engessado no sistema das janelas, aqui eu posso arriscar… e continua funcionando!
Tirando as “dores do parto”, hoje não vejo motivo para trocar de sistema. É bão mesmo! Como eu disse, não recomendo para quem está saindo do Windows, mas para quem quer conhecer mais, quer se aprimorar, e quer extrair mais de sua máquina (e aqui um parênteses, este meu note está com uns 9 anos já, recebeu uns upgrades de placa de wifi, ssd e memória RAM, o processador é um I3-6006U), o openSUSE é um baita sistema!
CELSO PEREIRA DE MATOS
Autointitulado “Fuçador funcional”.